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Por que a operação terrestre de Israel em Gaza fracassará no longo prazo?

gustavochacra

18 Julho 2014 | 10h25

Israel decidiu lançar uma operação por terra na Faixa de Gaza. Os críticos argumentam, corretamente, que esta ação elevará o número de mortos, incluindo o de crianças. Os defensores, também corretamente, argumentam que o Hamas não aceitou o cessar-fogo e, além disso, uma ofensiva por terra pode obter mais resultados para conter o lançamento de foguetes do que os bombardeios aéreos.

No curto-prazo, portanto, o resultado será mesmo um número elevado de mortos, como em 2009 (1.166 na época), e também o fim do lançamento de foguetes contra Israel por um período. Isto é, os dois lados, dos críticos e dos defensores, estão corretos. Mas e no médio e longo prazo? Há duas possibilidades, ambas ruins para israelenses e palestinos.

Na primeira, o Hamas, daqui algum tempo, voltaria a ter atrito com Israel. E um novo confronto, similar ao atual, ocorreria. Seria o “quarto” conflito de Gaza, assim como em 2009, 2012 e neste ano. Basicamente, o status quo é ter um confronto de anos e anos nesta área. O problema é que, diferentemente das outras vezes, o Hamas está isolado – perdeu o apoio da Síria e do Hezbollah quando traiu Bashar al Assad na Síria, apesar de uma tentativa de reaproximação com o Irã. E seus aliados da Irmandade Muçulmana, a quem se apegaram depois de romper com a Síria, estão na cadeia, enquanto o atual regime de Sissi, no Egito, é parceiro de Israel.

Na segunda possibilidade, e bem mais perigosa, o Hamas se enfraqueceria e grupos mais radicais inspirados pelo ultra-extremista ISIS tomariam o lugar da organização palestina. Neste caso, Israel precisará lidar com um inimigo ainda mais imprevisível e incomparavelmente mais irracional. E Gaza deixará ser Gaza e parecerá mais com áreas do interior da Síria e do Iraque, controladas pelo ISIS. É muito pior, tenham certeza.

A melhor alternativa era a união do Hamas com o Fatah e o apoio ao governo tecnocrático na Autoridade Palestina, com o governo de Mahmmoud Abbas voltando a ter controle da Faixa de Gaza e aos poucos transformando este território em uma área similar à Cisjordânia. O bloqueio seria levantado paulatinamente e os salários dos funcionários públicos pagos. O processo de paz seria retomado e o Estado palestino poderia emergir em paz com Israel.  

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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