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Por que a Rússia apoia Assad na Síria? Leia a resposta

gustavochacra

30 de agosto de 2013 | 11h11

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Uma amiga me escreveu ontem perguntando os motivos de a Rússia apoiar o regime de Bashar al Assad na Síria. Abaixo, segue a lista

1. O regime de Assad, primeiro com o pai, Hafez, e depois com o filho, Bashar, sempre foi um aliado leal de Moscou

2. O regime sempre foi um cliente importante na compra de armamentos russos, pagando em dia

3. Os cristãos sírios, que representam 10% da população, apoiam em sua absoluta maioria o regime de Assad. Assim como a maior parte dos russos, são cristãos ortodoxos e veem Moscou como defensora do cristianismo no Oriente e no mundo árabe

4. Há dezenas de milhares de russos vivendo na Síria, especialmente mulheres, e elas costumam dizer que Assad garante a liberdade enquanto a oposição implementaria um conservadorismo maior no país, o segundo mais liberal do mundo árabe, depois do Líbano

5. A oposição síria é extremista islâmica, com facções ligadas à Al Qaeda e também a movimentos salafistas. Lembra, para os russos, alguns grupos separatistas no Cáucaso

6. A única base militar russa no Mediterrâneo, ainda que pequena, se localiza na Síria

7. Os EUA e seus aliados intervieram, apenas na última década, no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Em todas, na avaliação de Moscou, fracassaram. Bagdá tem carros-bomba diários e a guerra civil retornou com confrontos entre sunitas e xiitas. O Taleban se fortalece no Afeganistão mais uma vez. Na Guerra da Líbia, morreram proporcionalmente mais pessoas do que na Síria e o país hoje é dominado por milícias

8. A Rússia é pragmática e avalia que, nesta guerra civil, a maior chance de estabilidade seria Assad vencer a guerra. A alternativa seria mais caos e fragmentação do país, com o fortalecimento de grupos extremistas e transformando o território sírio em um oásis de terrorismo 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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