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Por que a Rússia defende Assad?

gustavochacra

28 de maio de 2013 | 09h41

Meu comentário sobre Síria e Iraque no Jornal das Dez da Globo News

A Rússia quer a permanência de Bashar al Assad no poder. Na avaliação de Moscou, o atual líder sírio é o único capaz de estabilizar a Síria. Sem ele, o país se tornará um caos por muitos anos, correndo o risco de desmembramento e emergência de um regime conservador com a presença de grupos radicais islâmicos.

Seria algo próximo do Afeganistão nos anos 1980. O país era governado por um aliado soviético. Na época, os comunistas ligados a União Soviética eram os inimigos dos EUA. Políticos americanos, similares a John McCain atualmente, defenderam o armamento dos mujahedeen para ligar contra os soviéticos e seus aliados afegãos.

O resultado de propostas como a de McCain atualmente foi o estabelecimento do Taleban com a presença da Al Qaeda. Isso é o que a Rússia não quer. Vladimir Putin, ao defender Assad, considera o senador McCain hipócrita (ou burro) – no que tem razão, afinal o republicano virou lobista de um grupo terrorista anti-Irã que era patrocinado por Saddam Hussein.

Por este motivo, a Rússia, neste momento, quer a consolidação dos avanços de Assad nos últimos meses, uma estabilização em toda a área que começa em Damasco, passa pela Província de Homs e chega ao Mediterrâneo e a realização de eleições no próximo ano. Depois destas, reformas de dentro do regime para fora seriam implementadas, sem o colapso total do Estado.

Esta é a visão russa, mais realista do que a de McCain, defensor de uma intervenção. Barack Obama não gosta de nenhuma das duas. Afinal, não dá para apoiar um regime sanguinário nem uma oposição sanguinária. Mas vamos ver até quando ele resiste às pressões dos europeus, dos aliados do Golfo e de McCain, o lobista do Mujahedeen Al Khalq (MEK, como gostam de dizer as empresas de PR contratadas pelo grupo).

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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