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Por que alguns são “bons” e outros “maus” no Oriente Médio?

gustavochacra

26 de outubro de 2016 | 12h46

Muitos de nós crescemos sem termos escutado falar dos curdos e dos houthis. Mas, hoje, quem acompanha política internacional e os conflitos no Oriente Médio tem uma tendência a achar os curdos “do bem” e os houthis “do mal”. O mesmo vale para soldados sírios e soldados iraquianos. Os primeiros são vistos como “do mal” e os últimos, “do bem”, embora ambos lutem contra o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

Por que? Porque depende muito de quem determinado grupo ou país é aliado e inimigo. Os houthis são um movimento presente do norte do Yemen cujos seguidores seguem o islamismo Zaidi, uma corrente dos xiitas e são aliados do Irã. Eles se aliaram ao ex-ditador Abdullah Saleh para lutar contra o novo governo (apoiado pela Arábia Saudita e pelos EUA) e também contra o ISIS e a Al Qaeda.

Os curdos (uma etnia majoritariamente sunita), por sua vez, são vistos como do bem. Afinal, lutam contra o ISIS. Mas os houthis também lutam e são vistos como “do mal”. A diferença? Os curdos são apoiados pelos EUA e tem uma agenda que não bate de frente com a americana – mas, notem, na Turquia, os curdos são “do mal” porque, além de cometerem atos terroristas, possuem uma agenda em choque com a turca.

No caso dos soldados sírios, eles lutam para defender o regime de Bashar al Assad, aliado da Rússia e do Irã, que são adversários dos EUA. Já os soldados iraquianos têm o apoio dos EUA e, curiosamente, também do Irã. Ambas Forças Armadas cometem crimes de guerra. Mas uma é “boa” porque luta contra o ISIS enquanto a outra é “má” apesar de também lutar contra ISIS.

Ainda me aprofundarei mais em outro texto sobre como vemos o cerco a Aleppo e Mosul de formas diferentes, apesar de o cenário ser muito parecido em ambas.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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