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Por que, ao se focar em Assad, Obama esqueceu do ISIS?

gustavochacra

30 de setembro de 2014 | 11h11

O presidente Barack Obama culpa os seus serviços de inteligência pela falha em não prever o avanço do grupo ultra extremista ISIS (também conhecido como Grupo Estado Islâmico, ISIL e Daesh) na Síria e no Iraque. Mas a história não é bem esta. Primeiro, os serviços de inteligência americanos previram sim. Em segundo lugar, bastava observar os acontecimentos – tomada de Raqaa pelo ISIS na Síria e posteriormente de Fallujah no Iraque. Não era preciso ter informações de inteligência

Na verdade, o erro dos EUA foi ter se focado apenas em combater retoricamente Bashar al Assad por cerca de três anos, buscando enfraquecer o regime – mas não o suficiente para Assad cair e sim para aceitar negociar com a suposta oposição moderada. Como o ISIS era e é inimigo do Assad, apesar da estratégia de PR (relações públicas) da oposição síria querer dizer o contrário, o governo de Obama fechou os olhos e deixou os dois se matando – e não repudiou as mortes de cristãos, alauítas e outras minorias na Síria.

Desde outubro de 2011, quando estive na Síria, já era óbvio que parte da oposição síria estava se radicalizando, especialmente na fronteira com o Iraque e também em cidades mais centrais, como Hama e Homs – na época, Aleppo seguia intacta. O Brasil, Índia e África do Sul  alertavam no Conselho de Segurança sobre o perigo da oposição – acompanhei bem todo o processo, cobrindo para o Estadão os eventos na ONU.

Brasileiros, indianos e sul-africanos diziam que a resolução da ONU deveria condenar não apenas Assad, como também os opositores. Os EUA e a França não aceitavam incluir os opositores (tanto o capenga Exército Livre da Síria, como o ISIS e a Frente Nusrah, que na época eram uma coisa só). E a Rússia e a China não queriam condenar Assad.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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