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Por que as ex-cosmopolitas Alexandria e Aleppo decaíram tanto?

gustavochacra

20 Janeiro 2016 | 19h35

Nações e regiões do mundo entram em decadências irreversíveis. Uma das maiores decadências de todo o planeta é observada em cidades como Alexandria e Aleppo, de um Levante que talvez tenha como resquícios apenas Haifa, em Israel, e Beirute, no Líbano. Já escrevi sobre isso aqui anos atrás, mas acho que vale a pena voltar ao tema mais uma vez.

Alexandria, ou Iskandaria, em árabe, é conhecida não apenas pelos tempos de Cleópatra, mas também por sua época cosmopolita, multicultural, dos anos 1920, quando Lawrence Durrel escreveu o livro “O Quarteto de Alexandria”. Era um lugar onde muçulmanos sunitas, cristãos coptas, gregos, armênios e judeus conviviam pacificamente em uma sociedade com base no comércio tradicional do Mediterrâneo oriental. Hoje é uma megalópole ultra decadente de um Egito em total colapso econômico.

Aleppo, ou Halab, em árabe, foi um dos centros comerciais do planeta por séculos. No Brasil, há muitas famílias aleppinas, tanto judias, quanto cristãs e muçulmanas. Assim como Alexandria, judeus, cristãos (armênios, assírios e grego-ortodoxos), muçulmanos sunitas e alauítas conviviam bem uma metrópole incomparavelmente mais sofisticada do que São Paulo ou o Rio de Janeiro na mesma época. Hoje é um dos maiores símbolos de destruição da Guerra da Síria, dividida ao meio e semi-destruída.

Mas Alexandria e Aleppo decaíram porque deixaram de ser multiculturais e cosmopolitas. Deixaram de ser levantinas.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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