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Por que as pessoas que não vacinam os filhos e usam errado os antibióticos podem nos matar no futuro?

gustavochacra

01 Maio 2014 | 11h06

Hoje enfrentamos dois problemas de saúde pública que seriam simples de resolver – o uso errado de antibióticos e os pais que não vacinam os filhos.

Primeiro, começamos pela vacina. Alguns pais, nos EUA e também em outros países como o Brasil, decidem não vacinar os filhos temendo que eles fiquem autistas. Isso se deve à desinformação e não má intenção. Seus filhos não ficarão autistas se forem vacinados. Mas, se não forem, correm o risco de contrair sarampo, paralisia infantil e outras doenças.

Os pais que equivocadamente não vacinam os filhos levam em consideração o aumento dos casos de autismo nos anos 1990, quando se intensificou o uso de vacinas. Na verdade, o que aumentou foi o número de pessoas diagnosticadas com autismo devido a avanços nos diagnósticos, não ao uso de vacinas contra outras doenças. Seria como dizer que, conforme explicou um médico da Johns Hopkins para a Al Jazeera America, “o número de veteranos da Segunda Guerra começaram a morrer mais depois do advento do celular. Mas, obviamente, eles morrem porque estão ficando velhos, passando dos 80, 90 anos. E o diagnóstico de autismo não tem relação com as vacinas”. Além, claro, de não ser o fim do mundo uma pessoa ser autista.

Em segundo lugar, de acordo com estudo da Organização Mundial de Saúde em 114 países, muitas doenças, como a tuberculose, e infecções começam a ficar resistentes a antibióticos. Mais grave, não há novas alternativas de antibióticos sendo desenvolvidas. Os principais responsáveis são o uso equivocado e o uso exagerado de antibióticos – pessoas chegam a tomar apenas para curar um resfriado, o que é um erro, ou interrompem o tratamento antes do fim do ciclo do antibiótico

Isto é, a pessoa pressiona o médico ou o próprio médico decide prescrever um antibiótico quando, na verdade, o tratamento seria outro e o uso de antibiótico desnecessário. Também é grave a interrupção do uso antes do fim do ciclo do antibiótico – não é porque você melhorou depois de três dias que deva interromper antes do fim da semana, por exemplo. Por último, o uso em animais é outro responsável pelo problema do aumento da resistência aos antibióticos

Corremos o risco de voltar ao começo do século 20 e ver as crianças morrendo porque cortaram o pé e não tinham tratamento para a infecção. E, além disso, sem as vacinas, veremos novos casos de paralisia infantil, uma doença que estava erradicada na maior do mundo. Em Nova York, tivemos um surto de sarampo em crianças não vacinadas pelos pais.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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