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Por que Assad, da Síria, e o Sisi, do Egito, são tão populares? E por que não disputam eleições livres?

gustavochacra

28 de outubro de 2013 | 12h56

O general Sisi, no comando de uma ditadura militar no Egito, responsável pela morte de centenas de pessoas, pela prisão de milhares de opositores e pela deposição de um presidente democraticamente eleito, desfruta de enorme popularidade entre os egípcios.

Bashar al Assad, líder sírio, comanda suas Forças Armadas em ações que resultaram na morte de milhares de pessoas, reprimindo não apenas grupos terroristas da oposição, como a Frente Nusrah e o ISIS, como também civis. Ainda assim, desfruta de enorme popularidade entre os sírios.

Para uma série de analistas e diplomatas, tanto o general Sisi como Assad venceriam eleições presidenciais livres na Síria e no Egito caso estas viessem a ser realizadas. Os opositores poderiam escolher quem quisessem como candidato, que sairiam perdedores.

Diante deste cenário, a primeira pergunta é – Porque Sissi e Assad são tão populares? A segunda, por que não disputam eleições livres, já que sairiam vencedores?

A resposta para a primeira pergunta é simples. Ditadores são, muitas vezes, extremamente populares. Basta ver Augusto Pinochet no Chile, para não precisarmos ir tão longe. Em segundo lugar, porque sírios e egípcios são bem mais laicos (não religiosos) do que costumam propagar no Ocidente. E o símbolo do secularismo e do ocidentalismo nestes países são justamente Assad e Sissi.

Para a classe média egípcia e síria, o cenário é simples e lembra o da América Latina nos anos 1970, conforme escrevi aqui. Antes uma ditadura laica e ocidentalizada, do que um regime islamita. Na América Latina, qualquer ditadura, para grande parte da população, seria preferível a um regime comunista como o de Fidel em Cuba.

E a segunda pergunta? Deixo aberto para debate.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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