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Por que Baltimore (EUA) é três vezes mais violenta do que São Paulo?

gustavochacra

29 de abril de 2015 | 12h37

Costumamos sempre ouvir que Nova York hoje é uma das metrópoles mais seguras do mundo, depois de, nos anos 1970 e 80, ter sido uma das mais violentas. A redução na criminalidade começou na administração de Giuliani, continuou com Bloomberg e atingiu seu patamar mais baixo no ano passado com o atual prefeito Bill De Blasio, com um dos anos  com menos assassinatos da história.

Mas nem todas as cidades americanas são seguras. Algumas são mais violentas do que a média brasileira. Um exemplo é Baltimore, onde vemos a recente onda de choques entre a polícia e manifestantes depois de um negro ter sido morto após ser detido pelos policiais na semana passada. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes de Baltimore é de 33,9no Brasil a média é 32,4 por 100 mil, segundo a Organização Mundial de Saúde. E isso porque houve uma melhora na última década na maior cidade de Maryland – em 2003, era de 41,9, de acordo com o FBI.

Das grandes cidades americanas, apenas New Orleans e Detroit são mais violentas do que Baltimore, com taxas de homicídio para cada 100 mil habitantes em 43,4 e 39,8 respectivamente – números similares a El Salvador e Guatemala e superiores à da África do Sul. Nova York, por sua vez, tem um índice de apenas 3,9 por 100 mil. Em Chicago, é 15,4 – superior a São Paulo, com 10,4 (um terço de Baltimore).

Além disso, Baltimore é uma cidade que perdeu cerca de um terço de sua população nas últimas décadas, com desindustrialização da região. Sem indústrias, boa parte da classe média imigrou. O padrão de vida caiu e o mesmo se aplica à arrecadação, afetando a administração da cidade. Há bairros onde a maioria da população jovem não tem emprego. E a polícia, majoritariamente branca, tem atritos com a população em algumas destas áreas majoritariamente negras. Esta tensão racial existe há décadas. Em 1968, Baltimore foi palco de levantes depois da morte de Martin Luther King Jr.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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