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Por que, de repente, esquecemos das guerras na Síria, Iraque e Líbia? O Nobel vai ajudar?

gustavochacra

11 de outubro de 2013 | 10h05

Os EUA retiram as tropas do Iraque e parece que a guerra acabou. Kadafi é derrubado do poder na Líbia e parece que a guerra acabou. Fazem um acordo para o regime de Bashar al Assad entregar as suas armas químicas e parece que a guerra acabou.

Mas, na verdade, o Iraque segue em guerra civil. Os últimos meses foram alguns dos mais violentos desde 2003. Bagdá ainda é a capital mundial de atentados terroristas. A Líbia está controlada por milícias que chegaram ao ponto de realizar um sequestro relâmpago do premiê. A violência na Síria segue a todo vapor, como ficamos sabendo hoje de um massacre levado adiante por rebeldes da oposição contra alauítas – e as Forças de Assad também prosseguem com suas operações militares.

A diferença é que não prestamos mais atenção. Os libaneses eram manchetes de todos os jornais do mundo entre no início dos anos 1980, quando Israel ocupou Beirute e os EUA enviaram marines. Mas quando os israelenses recuaram para o sul do rio Litani e os americanos se retiraram depois de mega atentados contra o quartel-general dos marines e sede da embaixada no corniche, o Líbano ficou esquecido para o resto do mundo. O número de morte, porém, não diminuiu.

Portanto, apenas para ficar claro, a Síria, Líbia e Iraque ainda estão em guerra civil. Mas, e quiser esquecer, basta ouvir uma última notícia, como a queda e morte de Kadafi, e achar que a Líbia virou uma Noruega. Com a escolha da Organização para Proibição de Armas Químicas para o Nobel, muitos devem achar que o conflito na Síria se solucionou, Assad entregará os armamentos e agora basta esperar um pouco para a Síria se transformar na Dinamarca.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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