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Por que derrotas do ISIS no Iraque e Síria podem causar mais atentados?

gustavochacra

06 Janeiro 2016 | 12h15

Critiquei, depois do atentado em Paris, a estratégia de Obama para combater o ISIS, também conhecido como Daesh ou Grupo Estado Islâmico. Mas acho que talvez tenha sido muito duro com o presidente americano. Na verdade, a estratégia de Obama tem sido relativamente bem sucedida

O ISIS está sendo derrotado no Iraque e na Síria

. Perdeu 30% de seu território

. Semanas atrás, deixou de controlar Ramadi

. Tudo isso usando tropas do Exército do Iraque, guerreiros pesh merga do Curdistão iraquiano, tribos sunitas iraquianas e alguns curdos na Síria

. As Forças de Bashar al Assad, ainda que sem apoio dos EUA, mas com a da Rússia e do Irã, também derrotaram o ISIS em algumas áreas.

. Nenhum americano foi morto

. Os EUA não têm o custo de uma ocupação, como na Guerra do Iraque e na do Afeganistão, ainda em andamento após 14 anos.

A estratégia de Obama, basicamente, consiste em,

1.priorizar o Iraque, onde há dois aliados claros – os curdos e as Forças Armadas iraquianas

2. treinar tribos sunitas pelos americanos

3.Enviar forças especiais para agirem em coordenação com curdos e iraquianos

4. Bombardear alvos do ISIS no Iraque e na Síria

5. Uma vez recuperado, se concentrar na Síria

6. Tentar buscar uma trégua entre Assad e os rebeldes para que os esforços se foquem no combate ao ISIS (parte mais complexa da estratégia, com enorme chance de fracasso)

Diante destas derrotas,

. o ISIS deve reagir tentando realizar mais atentados terroristas pelo mundo como forma de propaganda, para ofuscar suas derrotas

. Isso deve gerar uma sensação incorreta de que o ISIS está poderoso e aumentar a pressão pelo envio de tropas terrestres americanas, o que pode ser um erro

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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