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Por que eu acertei que Trump poderia vencer no Meio-Oeste?

gustavochacra

10 de novembro de 2016 | 12h43

Donald Trump venceu as eleições porque teve os votos certos nos lugares certos. Conseguiu atrair para o seu campo um eleitorado do cinturão industrial, em Estados como Ohio, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, que votaram em Barack Obama nas últimas eleições. Muitos são homens brancos que trabalhavam na indústria desta região, que foi afetada pelo processo de Globalização, e historicamente votavam em democratas. Os beneficiados pela globalização, de regiões como Califórnia e Nova York, votaram em massa na candidata Hillary Clinton e por isso ela venceu no voto nacional.

Eu escrevi na minha projeção sobre a eleição no Estadão, “Hillary é favorita e deve vencer, segundo quase todas as previsões. Mas não dá, na minha avaliação, para cravar uma vitória dela, como fazem alguns. Donald Trump tem chance se tudo der certo para ele e errado para a democrata”. Deu tudo certo para ele.

Mais adiante, acrescentei que Trump poderia surpreender em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, dando ênfase para Michigan. Escrevi – “precisa prestar atenção em Michigan, Colorado, Wisconsin e Pensilvânia, onde ela é favorita, mas Trump pode surpreender. Eu ficarei muito atento a Michigan, onde as pesquisas não tem muita qualidade. Nas primárias, Hillary tinha 20% de vantagem sobre Bernie Sanders, mas perdeu. Eu colocaria Michigan entre os Estados imprevisíveis, o que abre uma porta importante para Trump. Mas a maioria dos analistas discorda de mim e crava vitória de Hillary neste Estado”

Carolina do Norte, Florida, New Hampshire e Nevada eram imprevisíveis. Escrevi isso na minha previsão também. No chute, dei o primeira Estado para Trump e os outros para Hillary. “Errei” apenas a Florida, o mais importante, mas sempre deixei claro ser impossível saber o resultado.

No âmbito nacional, escrevi que Hillary tenderia a ganhar no voto nacional, como diziam as pesquisas. E ganhou, embora por margem abaixo do previsto. Escrevi “Hillary provavelmente vencerá o voto popular, já que as pesquisas mais sérias indicam claramente uma vitória dela. Mas isso é insuficiente para ser presidente. Especialmente porque a vantagem dela pode estar em Estados sem influência, como a Califórnia, onde ela tem 100% de chance de vitória segundo 100% dos habitantes dos EUA, incluindo o Trump. O importante é ter voto em swing state, sem predomínio de nenhum partido. E Trump pode ter vantagem neles.” Foi exatamente o que aconteceu.

A grande questão desta eleição foi a mudança do voto democrata branco “blue collar” de Estados industriais como Wisconsin, Michigan e Pensilvânia. Isso decidiu a eleição. Também pesou muito um sentimento de mudança, representado por Trump e, nas primárias, também por Bernie Sanders. Hillary Clinton era o oposto, o establishment. E deveria ter percebido o risco que corria nestes Estados.

Noto que mencionei também na Globo News uma série de vezes o risco para Hillary nos Estados do meio-oeste. Infelizmente, nas redes sociais, alguns têm distorcido o que escrevi. Acertei que Hillary venceria no voto nacional e que Trump poderia vencer no meio-oeste (Wisconsin, Michigan e Pensilvânia). Também certei que os swing states eram imprevisíveis, errando apenas a Florida dos Estados importantes, mas acertando o resultado em Ohio, Iowa, Carolina do Norte, Nevada e New Hampshire.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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