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Por que há mais abortos no Brasil do que nos EUA, onde é legalizado?

gustavochacra

05 de dezembro de 2014 | 13h50

Os EUA, onde o aborto é legalizado, há 730 mil por ano. Isso em uma população de 320 milhões. No Brasil, onde o aborto é ilegal, foram 850 mil em uma população de 200 milhões. Isto é, nos EUA há um aborto para cada 438 habitantes. No Brasil, um para cada 235. A taxa de aborto no Brasil é quase o dobro da taxa dos EUA, apesar de a prática ser proibida no território brasileiro e legalizada no americano.

Apenas para ter o contexto, os Estados Unidos legalizaram o aborto em 1973 em uma decisão da Suprema Corte chamada Roe x Wade. No ano da implementação, a taxa de abortos para cada mulher entre 15 e 44 anos era de 16,3% por ano. No início dos anos 1980, atingiu 29,3%. Em 2011, último ano com estatística, estava em 16,9% em uma movimento de redução contínua em quase três décadas depois do aumento inicial pós legalização.

A The Atlantic, uma das publicações mais respeitadas dos EUA, avalia que isso se deva a dois fatores – primeiro, embora a maioria da população americana seja a favor do direito ao aborto, a maior parte dela acha a ação moralmente errada. Isto é, as pessoas são a favor do direito, mas não do aborto. Quem quiser fazer faça. Em segundo lugar, a pressão para o casamento de jovens em uma gravidez diminuiu em relação aos anos 1970, sendo mais aceito uma mãe solteira no sociedade americana.

Já o Brasil segue sem debater este tema de saúde pública, com mulheres realizando abortos em clínicas clandestinas, enquanto nos EUA podem fazer com segurança em hospitais. Qual a posição de Dilma Rousseff? De Aécio Neves? De Marina Silva? Ninguém quer obrigar ninguém a abortar. Apenas quer que as pessoas tenham direito. E o direito ao aborto, como vemos nos EUA, não implica necessariamente no aumento do número de abortos.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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