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Por que Hillary demorou para reconhecer o casamento gay?

gustavochacra

19 de março de 2013 | 08h57

Começa hoje o super blog, com mais posts por dia. O primeiro é de EUA. Ainda hoje, Síria, Líbano e Israel

Hillary Clinton precisou ser primeira-dama, senadora e secretária de Estado para, aos 65 anos, reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Inicialmente, era contra. Depois adotou a tática de se dizer a favor da “união civil”, mas sendo opositora ao matrimônio. Agora, finalmente, decidiu defender o casamento.

Ao contrário do que muitos imaginam no Brasil, a divisão nos EUA não se dá entre democratas “a favor” e republicanos “contra”. Não é uma divisão de esquerda e direita.  Há defensores e opositores nos dois partidos, embora os favoráveis  sejam bem mais numerosos entre os democratas. Mitt Romney, candidato republicano no ano passado, reconheceu o casamento gay há anos, embora tenha voltado atrás. Barack Obama, por sua vez, passou a apoiar apenas no ano passado.

Hillary também ficou para trás de Dick Cheney, vice-presidente de George W. Bush, e de Rob Portman, um senador republicano de viés conservador de Ohio que passou a apoiar o casamento gay na semana passada. Jon Huntsman, o bilionário político moderado do Partido Republicano, também agiu antes da ex-secretária de Estado. Temos ainda os libertários republicanos, que tampouco se opõem ao casamento gay.

Mas o que teria feito Hillary finalmente adotar esta posição? Foi similar a Portman, que passou a apoiar o matrimônio de pessoas do mesmo sexo depois de o filho se assumir como gay? Não, a Chelsea é heterossexual. A resposta está no crescimento do apoio ao da população americana ao casamento de pessoas do mesmo sexo  nos EUA. Segundo pesquisa do Washington Post divulgada ontem, 58% são a favor e 36%, contra. A margem deve aumentar até 2016, quando a ex-secretária de Estado deve disputar as eleições.

Apenas para ficar claro, a questão do casamento gay é decidida nos Estados, e não pelo presidente. Estes podem optar por referendos, decisões das Suprema Corte Estadual ou de câmara dos representantes. Agora, a Suprema Corte dos EUA estudará dois casos e existe uma chance de o tema passar a ser federal.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal no Oriente Médio. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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