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Por que Hillary, e não Trump, equivale a Brexit nas pesquisas?

gustavochacra

03 de novembro de 2016 | 15h48

Muitos têm falado que Donald Trump pode repetir o Brexit. Na verdade, porém, Hillary Clinton é o Brexit, e não o republicano. Claro, não no perfil dos eleitores, que reamente aproximam Trump dos defensores do BREXIT. Mas no contexto de pesquisas.

As pesquisas no Reino Unido indicavam por semanas que o Brexit liderava, segundo pesquisas da The Economist.

26 de maio

BREXIT – 41%

Permanência na UE – 39%

30 de maio

BREXIT 43%

Permanência na UE – 40%

2 de junho

BREXIT – 41%

Permanência na UE – 41%

6 de junho

BREXIT – 43%

Permanência na UE – 42%

13 de junho

BREXIT – 43%

Permanência na UE – 40%

16 de junho

BREXIT – 43%

Permanência na UE – 39%

Neste dia, porém, a deputada favorável à permanência na União Europeia Jo Cox foi assassinada por um defensor do BREXIT. Nas pesquisas seguintes, a disputa ficou mais equilibrada, embora com o BREXIT nunca ficando muito para trás

20 de junho

BREXIT – 42%

Permanência na UE – 43%

24 de junho

BREXIT – 44%

Permanência na UE – 44%

No fim, o BREXIT venceu como indicava a tendência histórica das pesquisas

Nos EUA, Hillary Clinton esteve praticamente o tempo todo à frente na média das pesquisas, assim como o BREXIT. Nos seus melhores momentos e piores de Trump, por até 7% de vantagem. Nos seus piores momentos e melhores de Trump, como agora, de 3% de vantagem.

A questão do email e do FBI, na semana passada, afetou as pesquisas, assim como assassinato no Reino Unido. E a reversão nas bolsas de aposta em direção à permanência na União Europeia, assim como ocorre agora em relação a Trump, foi no final da campanha, embora no caso americano Hillary ainda tenha boa vantagem entre os apostadores.

Quem está no lugar do “BREXIT” é, portanto, a Hillary. Isto é, veio liderando o tempo todo, até uma onda de notícias ruins ter reduzido o favoritismo às vésperas da eleição. Uma vitória de Trump, que é possível por questões sem nenhuma relação com o BREXIT, seria um fenômeno independente. Possível, mas, por mais que insistam, seria sem relação com o que ocorreu no Reino Unido.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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