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Por que Israel, Egito, Síria e Palestina gostam mais de Putin do que de Obama?

gustavochacra

25 de março de 2014 | 15h54

Vladimir Putin é respeitado por israelenses e palestinos. Barack Obama é desrespeitado por ambos. Putin mantém boas relações com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Obama não é próximo de nenhum deles.

No Egito, o regime do Marechal Sissi busca se aproximar de Putin. E cada vez mais se distancia de Obama. Na Síria, Putin é visto como o salvador dos cristãos e do regime laico de Bashar al Assad. E estes mesmos cristãos e o regime laico de Assad veem Obama como aliado de rebeldes extremistas, muitas vezes ligados à Al Qaeda. Verdade, Putin é odiado pela oposição síria. Mas esta não vê Obama como salvador. Na verdade, o vê como um traidor.

No Oriente Médio, Putin salvou Obama ao solucionar  a questão das armas químicas na Síria. Putin também ajuda Obama, pelo menos por enquanto, para um acordo envolvendo a questão nuclear iraniana. Putin em nenhum momento foi um obstáculo para a invasão fracassada dos EUA no Iraque. Putin não impediu a ação da OTAN para derrubar o regime de Kadafi e transformar a Líbia em um oásis de extremistas. Putin nunca atrapalhou as negociações de paz entre israelenses e palestinos. E Putin sempre ajudou os EUA no combate ao terrorismo – se o FBI tivesse prestado atenção nos russos, talvez o atentado da maratona de Boston não tivesse ocorrido.

Na cabeça de Putin, a Rússia é uma potência. E, sem dúvida, na cabeça dele, os EUA são uma potência ainda maior. Por este motivo, Putin respeita os EUA quando o assunto é Irã, Iraque e Israel-Palestina. São zonas de influência americana. O mesmo se aplica ao México e Canadá. E não só os EUA – o Líbano, na cabeça de Putin, seria zona de influência da França. Por este motivo, Putin não se envolve nos debates sectários libaneses.

Ao mesmo tempo, Putin quer ver seus interesses respeitados. A Síria, há décadas, faz parte da zona de influência da Rússia. Os EUA sempre souberam disso. A Ucrânia nem se fala. Para Putin, já houve concessões demais na Líbia e nas repúblicas bálticas, ao serem incorporadas à OTAN. Mas a Ucrânia e, acima de tudo, a Crimeia, são e, para Putin, sempre serão zonas de influência da Rússia. Uma nação que, concorde-se ou não, é a única capaz de destruir os EUA.

Putin foi agente da KGB na Alemanha Oriental nos anos 1980. Presidiu a FSB, o serviço secreto russo que sucedeu a KGB nos anos 1990. Não é ingênuo. Se for tratado com respeito pelos EUA, pode seguir como um importante aliado no combate ao terrorismo, no Oriente Médio e também para ir ao espaço (os americanos só conseguem viajar para fora do planeta com ele ou com Elon Musk). Agora, se o tratarem com desrespeito, pode se transformar no maior inimigo dos EUA neste início de século 21. Putin não é Ahmadinejad.

Egito, Israel, Irã, Síria e Palestina sabem como é importante ser aliado de Moscou. Sissi, Netanyahu, Assad e Abbas sabem da importância de Putin.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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