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Aceitar ou não a proposta de paz saudita define quem é pró-Israel de verdade

gustavochacra

15 de janeiro de 2009 | 09h04

O plano de paz de TODOS os países árabes, capitaneados pela Arábia Saudita, apresentado a Israel consiste no seguinte

1. Israel deve se retirar de todos os territórios ocupados em 1967, incluindo a Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas do Golã (o plano não menciona as Fazendas de Shebaa)
2. Deve ser estabelecido um Estado palestino
3. A questão dos refugiados seria resolvida em negociações de acordo com a resolução 194 da ONU
4. Em troca, TODOS os países árabes reconheceriam Israel e o seu direito de viver em fronteiras seguras
5. TODOS os países árabes assinariam um acordo de paz e estabeleceriam relações diplomáticas com israelenses

A proposta foi publicada em jornais israelenses. Apenas 14% da população de Israel leu o anúncio. Outros 11% viu e não leu. O restante sequer notou a publicidade.

De acordo com pesquisa, 59% dos israelenses são contra este acordo. Eles não aceitam um acordo com os países árabes em troca apenas de cumprir as resoluções da ONU. Outros 38% são a favor. Entre os palestinos, o apoio ao plano é de 66%, enquanto 30% são contrários.

O estudo conjunto do Instituto de Pesquisa Harry S. Truman para o Avanço da Paz, da Universidade Hebraica de Jerusalém, e do Centro Palestino de Política e Pesquisa de Ramallah (PCPSR, na sigla em Inglês) foi conduzido entre os dias 26 de novembro e 5 de dezembro de 2008 – portanto antes da guerra em Gaza.

O governo de Israel disse ser positiva a iniciativa, mas nunca aceitou se sentar para negociar. Poderia ter usado a proposta como base para o início de um diálogo, no qual poderia tentar trocar terras pela manutenção de assentamentos que são cidades como Ariel.

Já o presidente Barack Obama é um entusiasta da proposta saudita – que, notem, estabelece relações com Israel e isola o Irã.

Por que Israel não aceita? Lembro que os acordos com o Egito e Jordânia foram respeitados. Já negociações com atores que não são Estados, como a Autoridade Palestina, fracassaram. Medidas unilaterais no sul do Líbano e em Gaza terminaram em guerra.

Provavelmente, os israelenses não aceitam porque desconfiam dos árabes. Não por anti-arabismo, apesar de certamente haver uma dose deste sentimento entre alguns. Mas porque os israelense passaram a desacreditar em autoridades árabes desde Yasser Arafat. Acham que eles não cumprem com a palavra. Mas, se seguir assim, nunca haverá paz para Israel.

Quem é pró-Israel defende a proposta saudita, pois veria israelenses viajando de Tel Aviv a Beirute, de Damasco a Jerusalém. Saberia que Israel teria condições, ao lado da Turquia, de liderar toda a economia de uma região. Mais do que isso, assistiria Israel em uma Copa do Mundo, já que a eliminatória da Ásia é bem mais fácil do que a européia.

Quem é anti-Israel prefere ver o país em guerras em Gaza, sendo vaiado em estádios na Espanha, tendo que ouvir estudantes da NYU os comparando ao Apartheid e, em muitos casos, recebendo oficiais do Exército na porta de casa para comunicar a morte de um filho, como aconteceu com o escritor David Grossman.

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