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Por que Israel não se envolve na luta contra o ISIS?

gustavochacra

03 de outubro de 2014 | 18h01

 Israel não está envolvido diretamente na maior guerra do Oriente Médio. Não há israelenses combatendo ou sendo alvos no confronto que envolve duas coalizões internacionais contra o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou ISIL no Ocidente e como Daesh no mundo árabe.

Uma das coalizões lutando contra o ISIS, comandada pelos EUA, conta com a apoio de cinco nações árabes (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e Jordânia) e nações ocidentais, como a França, Grã Bretanha e Austrália, além da Turquia e de rebeldes supostamente moderados na Síria.

A outra coalizão, que enfrenta o ISIS e outros grupos rebeldes radicais na Síria há anos, é formada pelo regime de Bashar al Assad, o Irã, milícias pró-regime da Síria e o Hezbollah, com apoio da Rússia.

As Forças Armadas do Líbano, o governo do Iraque, os pesh merga, como são conhecidos os guerreiros da região autônoma do Curdistão no Iraque e milícias xiitas iraquianas atuam em coordenação tanto com a “coalizão dos EUA” como com a “coalizão do Irã”.

Israel, por sua vez, optou por manter o isolamento nestes conflitos. Embora se sinta ameaçado pelo ISIS, os israelenses sabem que o envolvimento do país no conflito enfrenta uma série de obstáculos.

Primeiro, Israel obviamente é inimigo da “coalizão do Irã”. As forças israelenses não lutariam em hipótese alguma ao lado de alguns de seus maiores inimigos na região, como o regime de Teerã e o Hezbollah, mesmo que o adversário seja um grupo repugnante como o ISIS.

Em segundo lugar, as nações árabes e mesmo a Turquia não veriam com bons olhos a inclusão de Israel na “coalizão dos EUA”.

Terceiro, o envolvimento de Israel poderia servir como propaganda para o ISIS recrutar jihadistas ao redor do mundo.

Por último, Israel não quer ser sugado para um conflito nas suas fronteiras enquanto as colinas do Golã, no lado israelense, permanecerem relativamente calmas. Israel vem se mantendo distante da guerra civil da Síria, sendo o único dos vizinhos do território sírio a não ter recebido refugiados – Líbano, Turquia e Jordânia receberam mais de 1 milhão cada um.

De fato, Israel alvejou supostamente carregamentos de armas do regime de Assad para o Hezbollah na Síria ao longo da guerra. Mas estes bombardeios foram pontuais e fazem parte do tradicional conflito entre os israelenses e o grupo xiita libanês. Não foi, portanto, uma intervenção na Guerra Civil da Síria, hoje expandida para o Iraque.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que Israel mantém um isolamento em conflitos no Oriente Médio. Israel não tampouco se envolveu na Guerra do Irã-Iraque, na Guerra do Golfo, embora tenha sido bombardeado pelo regime de Saddam Hussein, e mais recentemente na Guerra do Iraque.

Israel age de forma realista, pensando em seus interesses, assim como a maior parte dos países do mundo. O isolamento, sem dúvida, é a melhor alternativa para os israelenses neste conflito. No máximo, o país fornecerá informações de inteligência para a “coalizão dos EUA” no combate contra o ISIS. E, embora não goste de Assad, ainda o acha a opção menos negativa entre as existentes na Síria.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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