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Por que Jeb Bush, como o irmão, mente sobre a Guerra do Iraque?

gustavochacra

12 de agosto de 2015 | 09h51

Quem decidiu retirar tropas do Iraque foi o ex-presidente George W. Bush, não o atual presidente Barack Obama. E quem impediu a permanência de tropas remanescentes foi o governo do Iraque, não o presidente Barack Obama (os EUA não são donos do Iraque).

A atitude do candidato Jeb Bush de criticar Obama pela retirada das tropas e, indiretamente, segundo ele, ter permitido a emergência do ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh) é bizarra. Na verdade, se este for o problema, o pré-candidato republicano deveria criticar o próprio irmão, responsável pela retirada.

Sem dúvida, Obama e Bush poderiam ter sido mais hábeis na negociação e ter conseguido convencer o governo iraquiano a permitir a permanência de cerca de 5 mil ou 10 militares americanos. O problema é que a administração em Bagdá colocada no poder por Bush é aliada do Irã.

Além disso, convenhamos, os EUA gastaram trilhões dos contribuintes americanos em uma guerra completamente inútil que custou a vida de centenas de milhares de iraquianos, de 4 mil americanos nos campos de batalha e outros 8 mil que se suicidaram depois de retornarem aos EUA. Não havia a menor atmosfera para mais americanos ficarem no Iraque

A invasão americana do Iraque foi o maior erro geopolítico dos EUA em décadas por cinco principais motivos.

1. Primeiro, o Iraque não tinha absolutamente nada a ver com o 11 de Setembro. Ao contrário, Saddam Hussein era inimigo da Al Qaeda

2. Em segundo lugar, Saddam sempre foi o maior inimigo do Irã. Sua queda abriu espaço para o fortalecimento do regime iraniano

3. Terceiro, o Iraque não possuía armas de destruição em massa – quer dizer, ainda possuía alguma coisa, mas tudo vendido pelos EUA para o regime de Saddam quando os dois eram aliados nos anos 1980

4. Quarto, a invasão dos EUA serviu de estopim para a perseguição aos cristãos, antes protegidos pelo regime de Saddam

5. Quinto, sim, Saddam era um ditador sanguinário. Mas os EUA são aliados ou mantêm relações com ditaduras sanguinárias como a chinesa, saudita e egípcia (esta última ainda recebe US$ 1,2 bilhão de presente por ano). Aliás, o próprio Saddam foi aliado americano até o fim dos anos 1980, quando cometia crimes contra a humanidade contra os curdos, xiitas e iranianos – embora, de fato, defendesse cristãos

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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