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Por que Joe Biden é respeitado e admirado até por rivais?

gustavochacra

13 Janeiro 2017 | 13h36

Joe Biden, vice-presidente americano, recebeu a mais alta condecoração dos Estados Unidos – a Medal of Freedom, ou medalha da Liberdade. Foi um dos momentos mais emotivos dos oito anos de Barack Obama na Casa Branca. E uma merecida homenagem a um dos últimos políticos admirados por todos.

Democrata convicto, Biden desfruta de respeito de seus pares republicanos. É amigo de seus rivais. Estes podem até discordar de suas posições políticas, mas jamais de sua integridade.

Para quem não sabe, Biden assumiu pela primeira vez uma cadeira no Senado aos 30 anos, em 1972. Semanas antes, porém, sua mulher e sua filha menor morreram em um acidente de carro. Seus outros dois filhos sobreviveram. Para cuidar deles, Biden todos os dias pegava o trem de ida e volta de Delaware para Washington.

Biden também sempre representou o chamado “blue colar worker”, ou o trabalhador do “colarinho azul”. São normalmente trabalhadores sem diploma universitário e ligados a sindicatos, como policiais, bombeiros, operários e porteiros. No Senado, Biden desenvolveu uma predileção por política externo, tendo sido algumas vezes presidente da Comissão de Relações Exteriores.

Em 2008, disputou as primárias presidenciais, mas foi rapidamente derrotado. No fim, porém, Barack Obama o escolheu como candidato a vice. Era a experiência que o então candidato buscava tanto para lidar com o Congresso como para auxiliá-lo em temas internacionais.

Nestes oito anos, Biden sempre seguiu popular entre os americanos. Liberal, no sentido americano de “progressista” da palavra, foi um dos primeiros políticos do alto escalão americano a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Também manteve a humildade. Sua segunda mulher, por exemplo, seguiu trabalhando como professora mesmo sendo a segunda-dama dos Estados Unidos.

Muitos democratas, insatisfeitos com Hillary Clinton, defendiam que Biden tentasse disputar a Presidência. Mas uma nova tragédia aconteceu. Seu filho, um herói da Guerra do Iraque e procurador-geral de Delaware, teve câncer no cérebro e faleceu. Biden não possuía condições emocionais de enfrentar uma batalha presidencial.

Ao receber o prêmio ontem, que foi entregue de surpresa, Biden contou que a família do filho passava por situação econômica complicada depois da morte dele. O vice pensava em vender a casa para ajuda-los. Obama, ao saber, se ofereceu para fazer um empréstimo para o vice, que ele considera um irmão.

Chega a ser chocante como, em oito anos, não há um escândalo de corrupção envolvendo Obama ou Biden. No caso de Biden, além dos 8 anos como vice, há também 36 anos no Senado sem escândalos.

Insisto, pode-se discordar das posições políticas Biden. Ele é liberal (progressista) e muitas pessoas são (conservadoras). Ninguém é obrigado a concordar. Mas difícil, ou quase impossível, encontrar um senador republicano que tenha convivido com ele questionando a sua integridade. Cada vez mais, são raros políticos assim, mesmo nos EUA. O Gerson Camarotti, da Globo News, disse ontem no Em Pauta que há políticos íntegros no Brasil, mas nós não ficamos sabendo. Mas eu fiquei curioso para saber os equivalentes a Biden em Brasília.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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