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Por que lobos solitários do ISIS são diferentes de terroristas da Al Qaeda?

gustavochacra

13 Junho 2016 | 09h36

O atentado terrorista contra a boate frequentada pelo público LGBT em Orlando foi uma ação de um lobo solitário inspirado pelo ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. É diferente, por exemplo, do 11 de Setembro, quando militantes da Al Qaeda cometeram o ataque.

Membros do ISIS, que vivem nas áreas controladas pelo grupo e integram formalmente a organização, cometeram atentados terroristas na semana passada em Bagdá e em Damasco. No passado, também já realizaram ações terroristas em outras regiões do Iraque, da Síria e também da Turquia. Foram ações com homens-bomba e um modus operandi completamente diferente do ataque de Omar Mateen na Florida.

Nos EUA, o ISIS adotou a estratégia de inspirar ataques terroristas, como observamos agora em Orlando e também em São Bernardino. Estas operações são extremamente complicadas de impedir porque os terroristas agem de forma independente, sem integrar células terroristas. São mais próximas dos massacres de atiradores como Columbine, Virginia Tech, Colorado e Sandy Hook.

É, portanto, também distinto do que vimos nos atentados em Paris e Bruxelas. Na França e na Bélgica, existe sim uma maior organização, com pessoas que foram treinadas pelo ISIS vivendo nestes países. Mais importante, estão organizados em células terroristas com capacidade de múltiplos atentados simultâneos, nos moldes da Al Qaeda na década passada.

Os EUA evoluíram bastante no combate a estes atentados com o modus operandi da Al Qaeda. Não ocorreu literalmente nenhum no país desde o 11 de Setembro. Mas os EUA não sabem como lidar com estas ações dos lobos solitários.

Mesmo Israel, talvez a nação mais avançada no combate ao terrorismo, não sabe tem uma estratégia clara para combater os lobos solitários. Atentados do Hamas se reduziram abruptamente e praticamente não existem mais. Mas os israelenses tampouco conseguem impedir atentados de lobos solitários, como as dezenas ocorridas nos últimos meses, incluindo um mais elaborado em um mercado de Tel Aviv na semana passada.

O desafio neste momento é sobre como lidar com estes ataques de lobos solitários. Tenham certeza de que autoridades americanos, israelenses e europeias pensam nisso o tempo todo, mas ainda não desenvolveram um plano. Apenas sabem que não será com medidas infantis e preconceituosas como as propostas por Donald Trump  que atingirão este objetivo.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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