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Por que não apoiar eleições na Síria, com a participação de Assad e dos opositores?

gustavochacra

21 de junho de 2012 | 11h17

no twitter @gugachacra

Por que não convocar eleições na Síria, coma participação de Bashar al Assad, de seu partido Baath e todos os integrantes da oposição? A idéia foi levantada ontem pelo ex-secretário de Estado James Baker, junto com a atual, Hillary Clinton, em entrevista para Charlie Rose, um dos mais prestigiados jornalistas dos Estados Unidos.

 “Na Nicarágua, colocamos os dois lados – Daniel Ortega, o ditador autoritário, e Violeta Chamorro, a candidata da oposição. Dissemos que se eles convocassem eleições e respeitassem o resultado, seria a saída para aquele impasse. Isso foi o que aconteceu. Os dois aceitaram. Ortega perdeu. Por que não tentamos o mesmo na Síria? Todos, inclusive a Rússia, teriam dificuldade em dizer não, especialmente se Bashar puder concorrer. Apenas precisamos garantir que teremos muitos observadores? Por que não tentar”, disse Baker.

Concordo. Afinal, os dois lados dizem contar com o apoio da população. Mas quem está correto? E se Assad vencer? Venceu, simples assim. os sírios mostrarão que o querem no poder? E se perder? Perdeu, que deixe o poder. Não dará certo, mas ajuda pelo menos a tentar frear a espiral no discurso de guerra civil.

 Rosen gostou da idéia e perguntou a Hillary“Por que não tentar”? De acordo com a secretária de Estado, “esta é via que estamos tentando”. Em seguida, ela desconversou, sem se aprofundar na proposta de seu antecessor.

Pena que, hoje, não temos pessoas como Baker no poder.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios