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Por que não damos bola para Antuérpia, Alexandria, Filadélfia e Turim?

gustavochacra

08 de maio de 2015 | 17h49

As segundas cidades sempre me chamaram a atenção. Não apenas as segundas, mas em alguns casos as terceiras também. Historicamente, porém, prestamos mais a atenção nas primeiras cidades, que costumam ser as capitais, a não ser em alguns poucos países como o Brasil, Turquia e os Estados Unidos, com as primeiras cidades dos dois últimos sendo Istambul e Nova York.

As segundas cidades são Aleppo, na Síria; Alexandria, no Egito; Marselha, na França; Antuérpia, na Bélgica; Roterdã, na Holanda; Manchester, na Inglaterra; Guadalajara, no México; Marselha, na França; Porto, Portugal. Em alguns países, até vale a pena observar as terceiras cidades, como Chicago, nos EUA (eu sei que ela se auto-intitula second city), e Turim, na Itália. Aliás, no caso americano, inclua a Filadélfia, embora esteja em uma posição distante (talvez oitava?).

Segunda cidade não significa ser a vice-campeã em população. Mas, nas cidades citadas acima, apesar da importância histórica, elas acabam em um segundo plano.

Quem já fez as malas para visitar Antuérpia, Torino, Filadélfia, Roterdã, Aleppo, Alexandria, Manchester ou Guadalajara? Dificilmente fez viagens especificamente para estas cidades, embora seja comum irem para Roma ou Milão, Amsterdam, Cairo, Londres e Cidade do México – Damasco, em guerra, não é mais destino turístico; Porto, por outro lado, embora seja segunda de Portugal, consegue atrair turistas que não viajem a Lisboa.

Falo de tudo isso porque li o fantástico livro Uma Praça em Antuérpia, da Luize Valente, autora também de O Segredo do Oratório. Ela consegue mesclar a história judaica, com Portugal. No primeiro livro, falando dos judeus do Recife. No segundo, a trama mistura Portugal, Segunda Guerra e judaísmo.

E boa parte do livro se passa em Antuérpia, uma cidade aparentemente mágica, mas que por algum motivo nunca entrou no meu roteiro. A cidade “flamenga”. Se Flandres fosse independente, Antuérpia seria mais forte? Se Torino fosse capital de um Piemonte independente, atrairia mais turistas? E Aleppo, se fosse outro país? Manchester é mais inglesa do que Londres? Dá para entender mais o Egito em Alexandria do que no Cairo?

Independentemente de qualquer coisa, como é bom falar as palavras “Antuérpia”, “Aleppo”, “Alexandria”, “Filadélfia” e “Guadalajara”.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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