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Por que não devemos acreditar no ranking dos melhores restaurantes do mundo?

gustavochacra

30 de abril de 2014 | 17h29

O site fivethirtyeigth.com (recomendo a todos) lida com números para bancar seus artigos. O editor e fundador é Nate Silver, um jovem que gabaritou, através de mecanismos estatísticos, os resultados das eleições americanas em todos os Estados em 2012 quando mantinha um blog no New York Times.

Hoje, um de seus repórteres, Carl Bialik, em espetacular artigo, destrói o ranking dos 50 melhores restaurantes do mundo. É algo que realmente chama a atenção. Primeiro, pelo óbvio – os jurados viajaram por todo o planeta e estiveram, pelo menos, em todos os 50? Claro que não. Eles não tem a menor ideia de qual seria o melhor restaurante. Muitas vezes votam sem ter comido ou não votam por não terem comido em determinado local. Quantos deles estiveram no Naranj, em Damasco?

O D.O.M, em São Paulo, está em sétimo no ranking. Talvez pudesse estar acima disso, em primeiro, ou mesmo bem abaixo, fora dos top 1.000. O Alex Atala, seu dono e fundador, tem enorme mérito e eu o admiro muito por ter colocado a culinária brasileira em destaque. Amigos meus que entendem de gastronomia o elogiam muito. Mas já vi uma série de críticas também. E o que garante que o restaurante dele seja melhor do que tantos outros na capital paulista e no mundo? Afinal, a culinária é distinta. Uma pizzaria teria como ser a número 1?

Aliás, falando em pizza, obviamente as de São Paulo são melhores do que as do Rio e este é um dado objetivo, não subjetivo (esta parte é provocação). Mas qual a melhor da cidade? Difícil dizer. Muita gente irá optar pela do seu bairro, por exemplo.

Alguns conhecidos, quando viajam a Nova York, me pedem recomendação de restaurante. Mas eu não sei quais recomendar. Eu gosto de comida libanesa, grega, judaica, italiana, japonesa e brasileira, mas sou ruim de culinária “contemporânea”, como dizem. Será que minhas dicas adiantam alguma coisa? E uma amiga minha, junto com o marido, esteve recentemente aqui na cidade e comia todos os dias no mesmo diner em Midtown. Adorou. Eu fui encontra-los e também gostei. Qual o problema? O importante são as boas memórias do jantar. 

Rankings, não apenas nos restaurantes, mas em quase todas as áreas não competitivas, costumam ser extremamente subjetivos. Mesmo no tênis, com dados de partidas e conquistas, há dúvidas sobre o melhor do mundo é Rafael Nadal, número 1, ou Novak Djokovic e Roger Federer, em segundo e quarto respectivamente.

Acreditem, muitos dos rankings que vocês veem em revistas são elaborados por uma turma de editores e repórteres em redação. Não há nada científico. Malcolm Gladwell, repórter da New Yorker e autor de livros como Blink, já mostrou como, ao alterar alguns pesos, como o preço, dá para colocar a Penn State em primeiro no ranking das universidades americanas, desbancando Princeton, Yale, Columbia e Harvard.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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