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Por que não devemos votar em quem é anti-ciência?

gustavochacra

04 Maio 2016 | 09h51

A diferença em uma eleição, aqui nos EUA, deve se dar acima de tudo nas posições dos candidatos em economia, política externa, segurança e alguns temas sociais, como o sistema de saúde, imigração, educação, a situação dos veteranos, Previdência e alguns outros. De uns tempos para cá, temas como casamento entre pessoas do mesmo sexo, posse de armas e direito ao aborto também ganharam força – embora a maior parte destes já foi decidida pela Suprema Corte.

Ao redor do mundo, no entanto, emergiram movimentos religiosos que decidiram bater de frente com a ciência em duas questões. Primeiro, nas mudanças climáticas. O ano mais quente desde que se começaram as medições foi 2015, seguido por 2014. O de 2016 superará ambos. E quase todos os outros mais quentes foram neste século. Segundo a NASA, 97% dos cientistas dizem haver mudanças climáticas e esta é em parte causada pelo homem. Simplesmente, há um consenso na comunidade científica.

Infelizmente, alguns acham que ter preocupação com o futuro do mundo e as mudanças climáticas seja algo de esquerdistas. Não é. É algo da ciência, não da política. Você não tratará seu câncer de acordo com o que a Sarah Palin diz, mas de acordo com o que o seu médico diz porque isso é ciência.

Há também aqueles que questionam a teoria da evolução e, por questões religiosas, dizem acreditar na teoria da criação. Isto é, acreditam que o homem veio de Adão e Eva. Claro que cada um pode acreditar por motivos religiosos ou não no que quiser. Mas não pode impor suas ideias aos demais. E, obviamente, acreditar na teoria da evolução significa acreditar na ciência. Não tem, mais uma vez, a ver com ser de direita e de esquerda. Nas escolas deve-se ensinar ciência e isso inclui teoria da evolução.

Portanto, na hora de votar, considero eliminatório um candidato não acreditar nas mudanças climáticas e na teoria da evolução. Acho que opiniões sobre o direito ao aborto e posse de armas sejam mais caráter pessoal. Eu votaria, no Brasil, levando em conta acima de tudo a economia, segurança, educação e saúde. Nos EUA, pesariam também política externa e imigração. Estes temas são classificatórios. Os melhores, na nossa visão, devem levar nosso voto.

Basicamente, quero um país crescendo, com inflação e taxa de desemprego baixa, seguro e com educação e saúde. Imagino que a maioria das pessoas seja como eu. Se um presidente entrega uma nação em recessão, com inflação e desemprego alto, não votaria nele. E acredito no consenso científico de que há mudanças climáticas e, obviamente, acredito na teoria da evolução.

Um ministro da Ciência e Tecnologia deve e pode ter a religião que quiser. Ser religioso não é crime. Mas não pode questionar a ciência em temas como mudanças climáticas e teoria da evolução caso queira exercer este cargo. Assim como ninguém questiona que não tem como tratar Diabetes Tipo 1 sem insulina – neste caso, todos acreditam no consenso da ciência. Por que não nos outros?

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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