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Por que não tem esfiha nos restaurantes libaneses em Beirute?

gustavochacra

24 de outubro de 2008 | 20h43

A palavra “esfiha” é mais conhecida no Brasil do que no Líbano. Ou, pelo menos, mais presente no cardápio. Aqui em Beirute, nos restaurantes libaneses, ela é inexistente. O quibe sim, sempre lá, nas suas mais variadas formas. Mas a esfiha, que muitas vezes parece sua parceira inseparável, não. Vi pratos com o formato da esfiha. Especialmente no café da manhã. Mas a massa é de pão de kak e apenas com recheio de queijo ou zatar. Não há de carne. E o nome é diferente.

Nos restaurantes, serve-se hommus, babaganush, kafta, mishui, coalhada, charuto de folha de uva, tabouli, fatoush. Igual a São Paulo. Menos a esfiha. Não apenas aqui no Líbano, mas também na Argentina e nos Estados Unidos. O restaurante Youssef, considerado o menhor de Buenos Aires, chama de “empanada aberta síria” o prato “esfiha”. Só que a esfiha porteña é bem maior. Parece uma pizza de carne. O Tripoli, imbatível restaurante árabe de Nova York, em Cobble Hill, também deixa o quibe sem sua companhia.

Queria a ajuda dos leitores para acabar com o mistério da esfiha. Aparentemente, é uma comida mais caseira, assim como o quibe assado e o arroz com lentilha. Além disso, os restaurantes libaneses no Brasil são mais tradicionalistas. E refletem uma culinária do começo do século 20, quando ocorreu a grande onda de imigração sírio-libanesa. Dificilmente alguém pedirá batata frita no Almanara, no Baalbek, no Arábia ou em qualquer casa com avó libanesa. Já no Abdul Wahab ou no Ballad, alguns dos melhores libaneses de Beirute, as fritas acompanharão pratos como o Shish Taouk – que, aliás, nunca encontrei nos restaurantes árabes da capital paulista.

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