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Por que não temos mais medo da Al Qaeda?

gustavochacra

29 de julho de 2016 | 12h37

A Al Qaeda acabou? Ainda não. Mas chama a atenção como a rede terrorista de Bin Laden ficou para o terrorismo global como o Yahoo! para a internet. Algo do passado, ultrapassado, que simplesmente deixamos de falar. Tão insignificante que, quando ocorre um atentado em Nice, sequer cogitamos a hipótese de sido a Al Qaeda.

George W. Bush e, acima de tudo, Barack Obama conseguiram enfraquecer Al Qaeda. Venceram. O atual presidente teve uma ultra bem sucedida ofensiva com Drones no Paquistão. Eliminou todas as lideranças da rede terrorista. O golpe final foi a morte de Osama bin Laden.

A Al Qaeda, do 11 de Setembro, do atentado contra a estação Atocha de trem em Madrid, contra o sistema de transportes de Londres, contra embaixadas na África não têm mais capacidade de organizar ataques terroristas pelo mundo.

Hoje, quando pensamos em terroristas radicais, logo nos vem à mente o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Eles são o “Facebook” do terrorismo, com todo o respeito à rede social. Mas, basicamente, o ISIS sabe melhor do que ninguém usar as novas tecnologias para disseminar seus sanguinários ataques terroristas.

Mas teremos novidades pela frente. Primeiro, o ISIS, que surgiu como um braço da Al Qaeda no Iraque, tem apanhado feio no território iraquiano e sírio. Não para de perder território. Vai demorar um pouco, mas em breve o “Estado Islâmico” não terá mais um “Estado”. Seus ex-integrantes farão uma Diáspora de terroristas, intensificando ataques no Iraque e na Síria e também na Europa. Seguirá sendo uma ameaça grave no médio prazo. Sem o tal “califado”, no longo, tende a se enfraquecer. Isso demorará ainda.

Ao mesmo tempo, a Frente Nusrah, que é o “filho sírio” da Al Qaeda, tem inovado e pode ser o “Ubber” dos grupos terroristas. Tem uma estratégia local mais avançada e inovadora em relação ao ISIS. Um sinal disso foi o rompimento amistoso com a Al Qaeda nesta semana e a mudança do nome para Frente Fatah al Sham, ou Frente de Conquista do Levante.

A organização não está em regiões distantes da Síria, como ocorre com o ISIS. É bem mais centralizada. Também tem evitado atritos com outros grupos rebeldes. É tão extremista quanto o ISIS, mas evita a loucura total. Devagar, se consolida como a principal guerrilha que luta contra o regime de Bashar al Assad. Prega o genocídio de muçulmanos alauítas e xiitas.

Os EUA e a Rússia sabem do risco desta organização e já intensificaram as ações coordenadas contra este grupo. Não sei se surtirá efeito. Alguns analistas dizem que os americanos e russos cairão na armadilha da Frente Nusrah. De qualquer maneira, mesmo enfraquecida, a Al Qaeda vê seus filhos “rebeldes” ISIS dominando o terrorismo global e a Frente Nusrah dominando uma guerra regional. Em tempo, a Nusrah e o ISIS são inimigos entre si.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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