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Por que, neste momento, o Ebola é mais perigoso do que o ISIS?

gustavochacra

16 de setembro de 2014 | 17h50

A epidemia de Ebola precisa ser contida e os países afetados não possuem condições de agir sozinhos. São mais de 4 mil infectados e um número superior a 2 mil mortos. A Organização Mundial de Saúde prevê dezenas de milhares de mortos nos próximos meses se nada for feito urgentemente. Alguns especialistas não descartam a possibilidade de centenas de milhares. Um deles, em artigo no New York Times, fala do risco de uma mutação genética fazer o vírus ser transmitido pelo ar (outros falam isso é possível, mas improvável). Diferentemente de outras epidemias, desta vez grandes cidades foram atingidas pelo Ebola.

O objetivo é reduzir a taxa de contaminação para baixo do fator 1. Isto é, para cada pessoa portadora do vírus, menos de uma seria infectada por ela. Desta forma, a epidemia passa a ser contida até desaparecer. Neste momento, a taxa de contaminação está bem acima do fator 1. Se atingir 2, por exemplo, o número de contaminados dobrará progressivamente e maior será a dificuldade para a contenção da epidemia, com risco de fugir completamente ao controle, atingindo outras partes do mundo.

Os três países mais afetados são Libéria, Guiné e Serra Leoa. Todos são pobres e extremamente instáveis. Uma mega operação será iniciada nas próximas semanas, incluindo o envolvimento de 3 mil militares americanos, centenas de milhões de dólares e hospitais de campanha. Não será uma tarefa simples, com uma série de obstáculos logísticos. Hoje, a maior parte da opinião pública americana pode ser a favor. Mas e se um soldado for infectado? Outro problema é se a epidemia se alastrar ainda pela Nigéria, que possui a maior economia da África, e já detectou casos em Lagos, uma cidade do tamanho de São Paulo.

Muito se fala da coalizão para combater o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico, na Síria e no Iraque. Mas talvez a coalizão para combater o Ebola neste momento deva ser a prioridade.

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