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Por que Netanyahu brigou com moderados de seu governo?

gustavochacra

02 de dezembro de 2014 | 15h23

O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, demitiu dois membros moderados de sua coalizão –  a ministra da Justiça, Tzipi Livni, e o ministro das Finanças, Yair Lapid. Com os dois e seus partidos fora do governo, provavelmente será convocada uma nova eleição em março deste ano.

Além de divergências na área econômica, Lapid e Livni não concordaram em apoiar Netanyahu em uma lei que descreve Israel como uma nação do povo judeu, na qual os árabes teriam direitos de acordo com a lei. Os dois membros moderados do governo israelense lembram que a Declaração de Independência de Israel prevê que o país é a pátria dos judeus “com direitos políticos e sociais iguais para todos os seus habitantes independentemente da religião, raça ou sexo”.

Temos de lembrar que Israel não possui Constituição e o texto da Declaração de Independência tem peso de lei. No caso, garantia direitos iguais para os árabes-israelenses, que compõem 20% da população – a maioria é muçulmana sunita, com minorias cristãos de diferentes denominações e drusos. A lei aprovada pelo gabinete, formado por políticos e não por técnicos, altera, na visão de alguns especialistas, o cenário. Os árabes-israelenses estariam em um patamar inferior aos judeus de Israel perante a lei de acordo com o novo texto. Vale lembrar, porém, que o Knesset (Parlamento de Israel) votaria possivelmente uma versão mais branda da legislação.

Os defensores argumentam que existe uma diferença pois a maioria dos sunitas e dos cristãos não fazem Exército. Alguns realizam ataques contra outros judeus e não prestam lealdade a Israel, sendo mais leais aos palestinos. Apenas como adendo, os drusos fazem Exército e, inclusive, o embaixador de Israel no Brasil não é judeu, mas druso.

A grande questão, como afirma o New York Times e também Livni e Lapid, é a necessidade da lei, que apenas contribui para o isolamento de Israel no Ocidente, pois abre espaço para interpretações indicando que a minoria árabe será tratada como segunda classe, independentemente de que isso venha ou não a ocorrer. Hoje a França seguiu o caminho da Espanha e do Reino Unido e reconheceu simbolicamente o Estado palestino. A Suécia reconheceu oficialmente. Para completar, as relações entre EUA e Israel não param de se deteriorar.

E pode piorar ainda mais se políticos ainda mais conservadores e integrantes da coalizão de Netanyahu, como Naftali Bennett e Avigdor Lieberman, seguirem crescendo na política israelense. O premiê tem medo deles, não de Livni, Lapid ou Herzog, que estão no centro ou na esquerda do espectro político do país. Afinal, são seus rivais na direita israelense.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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