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Por que ninguém comenta a melhor notícia do Oriente Médio?

gustavochacra

19 de agosto de 2014 | 10h35

Há uma excelente notícia no Oriente Médio e quase ninguém fala nada. As armas químicas da Síria foram totalmente destruídas menos de um ano depois de estes armamentos terem sido usados nos arredores de Damasco em ação atribuída pelos EUA e países europeus às forças de Bashar al Assad – o regime sírio, assim como a Rússia, acusa rebeldes pelo uso. Não há uma conclusão independente.

Depois da ação, na qual mais de mil pessoas morreram, falcões em política externa dos EUA, tanto do Partido Democrata quanto do Republicano, defenderam uma intervenção militar com bombardeios a posições das forças de Assad. E isolacionistas, incluindo os libertários do Partido Republicano e a esquerda do Partido Democrata, se posicionaram contra.

O presidente Barack Obama estava relutante. Ameaçou abertamente bombardear, mas queria mais apoio internacional. No Conselho de Segurança da ONU, seria impossível diante do veto da Rússia e da China. Mas o cenário para os bombardeios ficou ainda mais complicado com o Parlamento britânico se posicionando contra uma participação do Reino Unido na ação.

Como alternativa, Obama disse que pediria autorização ao Congresso dos EUA, onde possivelmente o resultado seria favorável aos isolacionistas e o “não” ao bombardeio. Mas quem resolveu a questão, no final, foi a Rússia. O governo de Vladimir Putin, em relativa coordenação com Washington, convenceu o regime de Assad a entregar os armamentos.

As forças sírias, apesar de estar em meio a uma guerra civil contra o grupo ultra radical ISIS e a rede terrorista Al Qaeda, cumpriu sua promessa e entregou todo o arsenal químico para os EUA e outros países europeus. Ontem estas nações concluíram a destruição dos armamentos.

Caso houvesse bombardeios, provavelmente o regime sírio teria ficado enfraquecido. Como sabemos, as forças de Assad defendem e são apoiadas pelas minorias cristãs, alauítas e drusas, além de sunitas moderados. A consequência de bombardeios dos EUA, como defendiam falcões como John McCain, provavelmente seria o fortalecimento do ISIS e da Al Qaeda, com a possível tomada de Damasco. Cristãos, alauítas e drusos seriam perseguidos mortos, assim como ocorre com minorias no Iraque. Mais centenas de milhares de refugiados iriam para o Líbano, desestabilizando ainda mais o país. E o grupo mais radical da história moderna do Oriente Médio estaria na fronteira com Israel nas colinas do Golã.

Portanto, ponto para os governos dos EUA, da Rússia e da Síria, que conseguiram negociar uma saída diplomática para a crise das armas químicas.

Não sei como faz para publicar comentários. Portanto pediria que comentem no meu Facebook (Guga Chacra)  e no Twitter (@gugachacra), aberto para seguidores

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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