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Por que ninguém liga para o remédio de prevenção do HIV?

gustavochacra

12 Maio 2012 | 11h03

no twitter @gugachacra

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Nesta quinta, em um dos maiores divisores de águas nas mais de três décadas de luta contra a AIDS, uma comissão ligada à FDA (Food and Drug Administration), que regula a venda de medicamentos nos EUA, recomendou a liberação de uma droga para prevenir a infecção com o HIV.

Não entendo como, mas quase ninguém deu bola, apesar de o assunto ter sido publicado com destaque em jornais como o New York Times, Estadão e Washington Post. Notem que, com este remédio, pessoas não contaminadas poderiam manter relações com portadores do HIV com um risco bem menor de contrair o vírus.

Vinte anos atrás, isso seria a grande notícia do ano, incomparavelmente superior a uma derrota de Sarkozy, CPI do Cachoeira ou a uma Síria que prosseguirá em guerra civil por anos.

De acordo com testes realizados internacionalmente, pessoas que tomarem a medicação  Truvada diariamente têm uma possibilidade 90% menor de ser contaminada do que quem não tomar.

Este remédio já é usado no tratamento de pessoas portadoras de HIV. Há relatos de que médicos nos EUA e em outros países já receitem o remédio para parceiros de portadores, segundo o jornal The Washington Post.

A recomendação prevê justamente que o Truvada seja utilizado por pessoas com um parceiro que tenha o vírus. Também há a sugestão para que homossexuais a utilizem, assim como quem se se sentir  risco de infecção ao manter relações heterossexuais.

Uma decisão sobre a aprovação do Truvada nos Estados Unidos para a prevenção de infecção por HIV deve ser tomada nos próximos meses. a FDA costuma seguir a recomendação da comissão.

Médicos alertavam, porém, que o Truvada não pode ser considerado uma vacina contra a AIDS e deve ser tomado apenas depois de aprovado pela FDA e com prescrição médica.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios