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Por que o BDS palestino vê Netanyahu como sua maior arma?

gustavochacra

17 de agosto de 2015 | 11h40

Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, talvez seja a pessoa que mais tem contribuído para o isolamento internacional israelense. Desta forma, embora certamente este não seja o objetivo do primeiro-ministro, ele indiretamente é quem mais contribui para o fortalecimento do BDS, como é conhecido o movimento civil para boicotar Israel.

Primeiro, a sua briga com Barack Obama. Nada contra ele divergir do presidente dos EUA, inclusive no caso do acordo com o Irã. Trata-se de um direito dele, eleito democraticamente e com esta agenda. Mas é inimaginável até mesmo um presidente americano fazer lobby no Knesset de Israel como Netanyahu faz no Congresso em Washington para ir contra um líder do país. No passado, com todos os outros governantes israelenses, houve divergências com a Casa Branca. Algo normal mesmo entre nações amigas. Mas os israelenses souberam defender seus interesses sem entrar em atrito, por meio da diplomacia.

Mas, para Netanyahu, diplomacia parece não servir para nada. O premiê israelense nomeou como embaixador na ONU Danny Danon, que não reconhece o direito de os palestinos terem um Estado, defende a anexação da Cisjordânia sem a concessão de cidadania para os palestinos (basicamente, seria um Estado de Apartheid) e chamou o governo Obama de racista. Lembro que estas posições dele são contrárias às do Estado de Israel, que ele representa, desde a assinatura dos Acordos de Oslo – que o novo embaixador também rejeita.

No Brasil, Israel substituiu o elogiado e respeitado embaixador Rada Mansour, de origem drusa, pelo líder de colonos na Cisjordânia Dani Dayan, que também rejeita o direito de os palestinos terem um Estado. Por que a escolha dele? Há brasileiros com cidadania israelense bem mais competentes e preparados para este cargo do que Dayan, que nasceu na Argentina. Eu poderia citar cinco nomes agora. Por último, Netanyahu mantém como embaixador em Washington Ron Dermer, que é republicano e lida com uma administração democrata – convenhamos que havia alternativas melhores.

Para os palestinos, nada poderia ser melhor do que este cenário para isolar Israel. Inclusive, em jantar do BDS em Nova York, muitos deixaram claro que a vitória de Netanyahu foi fundamental para o movimento. E o pior é que trata-se de gol contra israelense marcado pelo premiê.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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