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Por que o Beirut Madinati poderia ser um exemplo para o Brasil?

gustavochacra

13 Maio 2016 | 13h17

O Líbano tem muitas similaridades ao Brasil que não se resumem a ter Michel Temer como cidadão de ambos países ou o kibe e a esfiha. Neste momento, por exemplo, existe entre os libaneses a mesma saturação com a classe política que observamos entre os brasileiros.

Insatisfeitos com um Estado ineficiente, incapaz até mesmo de fazer uma coleta organizada do lixo, profissionais liberais, empresários, professores e artistas se organizaram e criaram um movimento político em Beirute chamado Beirut Madinati – “Minha Cidade de Beirute”.

O programa do Beirut Madinati tem foco na mobilidade urbana, nos espaços públicos, no gerenciamento do lixo e na preocupação com o meio-ambiente. O grupo evita polêmicas ou discursos raivosos. E bateram de frente com uma coalizão de partidos tradicionais ligados a líderes políticos cristãos, sunitas e xiitas.

O resultado? Quase derrotaram todos os poderosos partidos políticos, conquistando 40% dos votos em Beirute. Esta performance fantástica com menos de um ano de existência e o programa do Beirut Madinati tem sido elogiados ao redor do mundo e deve ser replicado em outras cidades do planeta.

O Beirut Madinati investiu na política municipal, cada vez mais importante. As cidades hoje tem importância muitas vezes maior do que os próprios países. Por este motivo, enquanto observamos as mudanças no poder executivo em Brasília, temos de lembrar das eleições para prefeito e vereador. Pense nas cidades, não em ultrapassadas questões da Guerra Fria de “direita e esquerda”.

Para completar, o Beirut Madinati é o primeiro movimento político libanês não sectário. Não é um partido cristão, nem sunita, nem xiita, nem druso. É um partido de libaneses. Este por si só é um avanço em uma nação onde, por consenso, presidente tem de ser cristão maronita; premiê, muçulmano sunita; presidente do Parlamento, muçulmano xiita; metade do Parlamento e do Ministério cristã e metade muçulmana.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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