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Por que o Brasil deixou de “bombar” e virou um país esquisito?

gustavochacra

20 Maio 2014 | 12h38

Em agosto de 2005, vim morar em Nova York para fazer mestrado na Universidade Columbia. Abaixo, um retrato da minha visão em cada ano

2005 – Crise do mensalão. Alguns falavam que Lula não terminaria o mandato

2006 – Lula e Alckmin foram para o segundo turno e o petista venceu. Não havia euforia no Brasil

2007 – Brasil celebrou o direito de sediar a Copa

2008 – Colapso financeiro mundial e, claro, os brasileiros ficaram, como no resto de mundo, preocupados com o futuro

2009 – O Brasil escapou do pior da crise mundial, em grande parte por causa da China, e ganhou o direito de sediar as Olimpíadas

2010 – Crescimento do Brasil disparou e Dilma derrota Serra

2011 – Brasil virou o país da moda no mundo. MBAs brasileiros nos EUA diziam que retornariam a São Paulo porque “o mercado está bombando”. Mesmo americanos decidem ir para São Paulo

2012 – Começaram a questionar o Brasil ter virado país da moda

2013 – Brasil deixa totalmente de ser o país da moda e mensaleiros são presos

2014 – Brasil vira um país esquisito e muitos amigos querem se mudar aqui para os EUA. Aguardamos o resultado das eleições e a Copa

Minha resposta (e gostaria muito de saber a de vocês) – O Brasil era uma nação caótica nos anos 1980, sofrendo de estagflação. Sucessivos planos, como o Cruzado e o Collor, fracassaram, Nossa economia era fechada e ultrapassada. O Plano Real, em uma quase quimioterapia, estabilizou os preços, privatizou estatais ineficientes e intensificou a abertura da economia iniciada com Collor. O país começou a entrar nos trilhos. Mas crises externas obrigaram o governo FHC a desvalorizar a moeda. Armínio Fraga assumiu o Banco Central e evitou um desastre. Implementou a política de metas de inflação. Lula se elegeu em 2002 e nomeou Henrique Meirelles para o BC. Ele manteve a política da administração anterior. O Bolsa Família tirou dezenas de milhares de pessoas da miséria. A estabilidade econômica permitiu o surgimento de uma nova classe média. O cenário externo, especialmente na China, ajudou bastante o Brasil. Em 2010, Dilma foi eleita. Gradativamente, ela alterou a política monetária dos dois governos anteriores. A Copa do Mundo, que seria o momento auge para o Brasil se mostrar como potência mundial, passou a ser questionada. O organização é um fracasso até agora. O crescimento despencou e a inflação volta a assustar. Mas não retornamos aos anos 1980  e tampouco somos a Venezuela ou Argentina. Por outro lado, estamos piorando e há um temor de que nos tornaremos uma Venezuela. Há uma sensação “esquisita”, sem dúvida

De forma superficial, admito, vou fazer a seguinte escala de 0 a 10

Nos anos 1980, estávamos no 2. Nos 1990, subimos para o 5. Continuamos subindo até o 7 em 2011. E despencamos novamente para 5. A diferença é que, nos 1990, a expectativa era de crescimento. Em 2011, imaginávamos que poderíamos chegar hoje no 8 ou 9. Mas estamos em queda. E o tememos voltar para os anos 1980, no “2”, como a Argentina e a Venezuela

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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