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Por que o Congresso dos EUA ignora os massacres sauditas no Yemen?

gustavochacra

29 de setembro de 2016 | 17h12

Ninguém dá bola para a Guerra do Yemen. Eu, que estive no país no passado e acompanho bastante os conflitos no Oriente Médio, raramente escrevo sobre dos iemenitas. Tenho um foco muito maior na Síria. Uma das raras exceções são os Médicos Sem Fronteiras (MSF), com seus relatórios das constantes atrocidades, além de manter hospitais e clínicas nesta que é a nação mais pobre do mundo árabe.

No último relatório, o MSF relata que duas unidades médicas administradas pela entidade foram bombardeadas. Vinte pessoas morreram, sendo a maioria pacientes.

Os iemenitas estão envolvidos em uma sanguinária guerra civil, com o envolvimento de atores externos. São dezenas de milhares de mortos. Um dos lados é comandado pelos houthis em uma aliança com antigos membros do regime do ex-ditador Abdullah Saleh. Eles controlam a maior parte do país, incluindo a capital, Sanaa. Tem suporte do Irã, mas longe de isso ser o fator mais importante – os houthis não são fundamentais para o regime de Teerã como o Hezbollah no Líbano e na Síria.

O outro lado tem a liderança das forças leais ao presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, que perdeu o poder em Sanaa. A base dele é a cidade portuária de Aden, no sul. O apoio principal vem da Arábia Saudita.

Os sauditas têm levado adiante uma série de bombardeios, matando iemenitas como se fossem passarinhos. Os armamentos usados são fornecidos pelos EUA, com a aprovação do Congresso. Estes deputados e senadores americanos aprovaram lei permitindo que famílias de vítimas do 11 de Setembro processem a Arábia Saudita, mas não veem problema algum em dar armamentos para o regime de Riad usar no Yemen.

Em meio a este caos, a Al Qaeda e o ISIS, também conhecido com Grupo Estado Islâmico ou Daesh, conseguiram conquistar espaço no Yemen. Uma pena. É uma das nações mais mágicas onde já estive.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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