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Por que o Hamas não aceitou o cessar-fogo?

gustavochacra

15 de julho de 2014 | 10h19

Por que o Hamas não aceitou o cessar-fogo proposto pelo Egito e aceito por Israel? Primeiro, porque o grupo possui uma série de divisões internas tanto entre as lideranças na Faixa de Gaza como entre eles e os líderes do grupo no exílio. Cada um deles tem um interesse político distinto que em grande parte das vezes não leva em consideração a situação dos palestinos.

Em segundo lugar, o Hamas imaginou que as condenações da comunidade internacional jogariam a seu favor. Sem dúvida, até Israel concordar com o cessar-fogo, os israelenses vinham sendo condenados por uma reação considerada desproporcional por entidades como a ONU e mesmo governos aliados como Grã Bretanha e França. Até os EUA pediam ao governo de Benjamin Netanyahu para conter os ataques, que mataram mais de 180 pessoas, incluindo mulheres, crianças e bebês de colo, além de destruir inclusive hospitais.

Mas Netanyahu aceitou o cessar-fogo, batendo de frente com membros extremistas de sua coalizão do governo, como Naftali Bennet e Avigdor Lieberman – o primeiro, inclusive, é contra a criação de um Estado palestino. Isto é, o premiê cedeu mais às pressões externas do que às pressões domésticas. Ao Hamas bastava concordar com o cessar-fogo e negociar os termos em 48 horas no Egito. Não aceitou e manteve o lançamento de foguetes em direção a Israel. Agora ficará mais difícil para a comunidade internacional condenar Netanyahu.

Terceiro, de uma forma infantil, o Hamas tentará vender a ideia de que os israelenses cederam porque perderam o conflito. Seria uma busca de se posicionar como o Hezbollah depois da Guerra do Líbano em 2006. Mas o grupo libanês realmente possuía argumentos para vender uma ideia de vitória pois centenas de israelenses, inclusive muitos militares, foram mortos no conflito – claro, mais libaneses morreram e grande parte do país foi destruído nos bombardeios israelenses. O Hamas até agora parou no escudo de defesa de Israel.

Quarto, o Hamas afirma que queria também o fim do bloqueio. Mas este argumenta não se sustenta para o cessar-fogo inicial. O fim do bloqueio deveria ser negociado no Cairo durante a trégua de 48 horas.

Por último, algumas facções do Hamas até torcem por uma incursão por terra de Israel, apesar de saberem que isso multiplicará o número de mortos. O motivo? Nesta ação israelense, poderiam capturar um ou mais militares, como ocorreu com Gilad Shalit, e trocá-lo por palestinos presos em Israel.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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