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Por que o Irã e a Arábia Saudita reclamam dos EUA?

gustavochacra

05 Janeiro 2016 | 14h58

O Irã reclama que os EUA vendem armamentos para os sauditas, são compradores de petróleo dos sauditas, ignoram que 15 dos 19 terroristas do 11 de Setembro eram sauditas (e nenhum iraniano), não condenam a perseguição de minorias religiosas por parte dos sauditas, não condenam os sauditas por propagar a ideologia wahabita do islamismo sunita pelo mundo e esta ser utilizada pela Al Qaeda, ISIS, Boko Haram e Al Shabab, e fazem vistas grossas do tratamento de segunda classe das mulheres sauditas.

A Arábia Saudita reclama que os EUA não fazem nada para remover Bashar al Assad, aliado do Irã, do poder em Damasco, não fizeram nada para evitar que o governo do Iraque virasse uma espécie de fantoche do Irã, deixaram os houthis, aliados do Irã, tomarem o poder no Yemen e fizeram um acordo na área nuclear com o Irã.

Basicamente, o Irã acha que os EUA são hipócritas ao ignorarem a violação dos direitos humanos por parte dos sauditas. E a Arábia Saudita avalia que os EUA querem mudar de lado, deixando Riad para trás e se aproximando de Teerã. Isso, obviamente, gera instabilidade.

A realidade é que os EUA condenam os sauditas, mas de forma muito tímida e apenas retoricamente, o que de fato gera esta sensação de dois pesos e duas medidas. Ao mesmo tempo, os EUA de fato se aproximam do Irã, em um reordenamento de sua geopolítica no Oriente Médio, onde cada vez mais diminui a sua dependência do petróleo saudita.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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