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Por que o ISIS começou a perder no Iraque e na Síria?

gustavochacra

05 de fevereiro de 2015 | 13h21

O ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, começou a perder a guerra tanto na Síria quanto no Iraque. Isso não significa, porém, que esta organização terrorista ultra-extremista será derrotada ou que a sua ideologia radical desaparecerá. Significa apenas uma tendência crescente de enfraquecimento do grupo. Outros, ao mesmo tempo, começam a se fortalecer.

1. Derrotas na Síria e no Iraque

Primeiro, no campo militar, o ISIS sofreu um forte revés na Síria ao perder a cidade curda de Kobani. Centenas de seus melhores guerrilheiros foram mortos. Ao mesmo tempo, o regime de Assad e mesmo outras organizações rebeldes os expulsaram de áreas próximas a Aleppo. Em segundo lugar, o ISIS também perdeu o controle de uma série de vilas e mesmo de Províncias no Iraque. Há alguns meses, o grupo já não consegue avanços no território iraquiano e sírio.

2.  Sem apoio geopolítico

Em segundo lugar, no campo geopolítico, o ISIS não tem quase apoio no Oriente Médio e no mundo. A organização é inimiga do Irã e da Arábia Saudita, da Síria e de Israel, do Líbano e do Iraque, do Hezbollah e da Al Qaeda, dos EUA e da Rússia, do Japão e da China. A Turquia também se afastou da organização.

 3. Antipatia no mundo árabe

Terceiro, no campo ideológico, depois da morte do piloto jordaniano, que foi queimado vivo, as populações dos países árabes passou a protestar contra o ISIS. Dificilmente hoje alguém terá coragem de apoiar em público este grupo em Beirute, Amã, Cairo ou Damasco. Aliás, a chance de um muçulmano sunita libanês ou palestino integrar o ISIS atualmente é menor do que a de um sunita em alguns lugares da França ou Bélgica.

4. Jaysh al Islam e Al Qaeda (Frente Nusrah) 

Quarto, o ISIS tem enfrentado dificuldades no recrutamento, mesmo entre os ultra-extremistas terroristas. Candidatos a militantes do mundo todo passaram a a buscar a Frente Nusrah (Al Qaeda na Síria) e outras organizações rebeldes radicais que lutam contra o regime laico de Bashar al Assad. Prestem atenção no crescimento do Jaysh al Islam (Exército do Islã), patrocinada por países do Golfo – escreverei em breve mais sobre o tema. Este fator demonstra que o ISIS se enfraquece, mas não a ideologia extremista necessariamente.

5.  Desespero e tática do Medo

Por último, o ISIS começa a apelar para a tática do medo. Sabe que esta pode ser a sua única opção de manter o controle de algumas cidades do Iraque, como Mossul, onde a população, com o apoio do Exército iraquiano e dos guerreiros Pesh Merga do Curdistão, em breve terão condições de derrota-los.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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