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Por que o ISIS (Estado Islâmico) não é Estado e nem Islâmico?

gustavochacra

12 de setembro de 2014 | 10h41

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse corretamente em seu discurso que o grupo Estado Islâmico, que eu prefiro chamar de ISIS, não é um Estado e não é islâmico. Todos os países de maioria islâmica ao redor do mundo condenam o ISIS (Estado Islâmico). E todas as organizações islâmica do mundo, sejam elas sunitas ou xiitas, também condenam o ISIS (Estado Islâmico).

As maiores vítimas do ISIS (Estado Islâmico) são muçulmanos. Tanto sunitas quanto xiitas. O grupo também alveja, com risco de provocar genocídio, minorias religiosas como os cristãos e os yazidis no Iraque e na Síria – ambos historicamente vivem entre muçulmanos e, no caso dos cristãos, são elite na Síria e eram no Iraque até a invasão dos EUA em 2003.

Sem dúvida, todos os membros do ISIS (Estado Islâmico) são ou se dizem muçulmanos sunitas. Eles representam, porém, uma fração do total de muçulmanos no mundo. São 30 mil em meio a 1 bilhão. Obviamente, têm um apoio maior do que o total de membros ativos. Mas para representar 1% da população islâmica do mundo teriam de ser pelo menos 10 milhões. E estão bem distantes desta marca. Provavelmente, não sejam sequer 0,1%.

Não há, no islamismo sunita, que o ISIS diz seguir, um Papa, no caso dos católicos, ou Patriarcas, no caso dos ortodoxos, ou aiatolás, no caso dos xiitas. Muitas pessoas falam em nome da religião e acabam distorcendo o que ela diz, como o ISIS faz.

Obama, portanto, tem razão ao dizer que a luta será contra o grupo criminoso e terrorista ISIS (Estado Islâmico), e não contra os muçulmanos. Mesmo porque muçulmanos no Iraque, na Síria e no Líbano já morrem para defender seus países da ameaça do ISIS. No mesmo dia que o jornalista americano foi decapitado pelo ISIS, um soldado sunita libanês também foi degolado por este grupo terrorista. Para o derrotar o Zetas no México, maior responsável por decapitações no mundo, ninguém falou em guerra contra os mexicanos. O ISIS é como o Zetas. Simples assim.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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