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Por que reconhecer a Palestina na ONU é ruim para a paz?

gustavochacra

26 de novembro de 2012 | 14h36

Nesta quinta-feira, dia 29, a Autoridade Palestina deve buscar o reconhecimento como Estado não membro das Nações Unidas. Para atingir este objetivo, precisará de aprovação na Assembleia Geral da ONU, onde deve conseguir o número de votos suficientes. Caso tentasse o status de integrante pleno, teria de passar pelo Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos, segundo a administração de Barack Obama, usariam o seu poder de veto.

Na semana passada, escrevi aqui que ações como o lançamento de foguetes pelo Hamas são prejudiciais ao processo de paz e apenas fizeram retroceder o sonho de os palestinos terem um Estado. Tentar matar israelenses não implica na criação da Palestina. Resulta apenas na tentativa de matar israelenses e na deterioração da imagem dos palestinos.

A busca do reconhecimento, porém, abre espaço para discussões. A criação de um Estado por meio de negociações entre a Autoridade Palestina e Israel seria o ideal. Mas estas começaram há duas décadas, sem sucesso. Nos últimos anos, durante a administração Obama, retrocederam ainda mais.

Diante deste cenário, em que não há avanço no processo de paz e ainda vê o Hamas crescer domesticamente, o presidente Mahmoud Abbas tentará jogar as fichas nesta iniciativa simbólica que traz mudanças práticas. A Palestina passaria a ser vista como um país e teria direito a ingressar em muitos órgãos internacionais. As negociações poderiam ser retomadas, sem problemas.

Israel e os EUA são contra. Dizem que ações unilaterais apenas prejudicam o processo de paz. Pode até ser que estejam corretos. Mas, sendo muito honesto, não consigo entender por que o reconhecimento da Palestina, com o texto sendo claro na necessidade de fronteiras negociadas, seria negativo. Tentei observar e ler uma série de artigos e continuo sem ser convencido pelos opositores.

Abro aqui o espaço para os leitores tentarem me convencer de que o reconhecimento da Palestina seria ruim para a paz. Afinal, a questão toda não implica nos palestinos aceitarem Israel? Nesta votação também haverá o reconhecimento oficial dos palestinos do Estado israelense dentro das Nações Unidas.

Abbas pode ser fraco. Mas a alternativa a ele é o Hamas e seus foguetes.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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