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Por que o sanguinário Tony Blair não é preso por crimes contra a humanidade?

gustavochacra

27 de fevereiro de 2014 | 18h34

Nunca entendi por que Shimon Peres é visto como do bem e Benjamin Netanyahu como do mal. Mas hoje falo das diferenças entre George W. Bush e Tony Blair. O primeiro é odiado no mundo inteiro. O segundo, que foi até pior, celebrado, menos na Grã Bretanha, onde o ex-premiê não engana ninguém.

Vamos aos fatos. Blair foi o maior aliado de Bush na ofensiva contra o Iraque em uma das guerras mais criticadas e inúteis da história, resultando em número de mortos superior ao da Guerra da Síria. Isso sem falar nos milhares de americanos e centenas de ingleses que morreram nos combates. Tudo para colocar no poder um governo aliado do Irã e criar uma oposição com grupos próximos da Al Qaeda.

O premiê britânico aceitava tudo de Bush, a ponto de ser chamado de poodle. Mas era visto como bonzinho, e não como um similar de Bashar al Assad. Sim, não há diferença entre os dois. Aliás, até há – Assad luta por sua sobrevivência e vive em Damasco, enquanto Blair comandou a ofensiva contra o Iraque de sua confortável residência em Londres.

E tem mais. Blair presta consultoria a ditaduras como a do Cazaquistão. Não dá para dizer que defende democracia ganhando dinheiro desta ex-república soviética. Aliás, fico indignado de o governo de São Paulo ter contratado os serviços deste líder responsável por tantas mortes.

O The Guardian de Londres, em texto hoje, lembra ainda que Blair prestou serviços a membros a jornalistas do News of the World e a Rupert Murdoch depois do escândalo dos grampos. Blair também defende o regime militar do Egito. Não seria um problema, se fosse por questões realistas, como a Rússia faz com Bashar al Assad. O grave é que o ex-premiê busca a dar entender que o regime de Sissi é democrático.

Existe até um movimento em Londres chamado arrestblair.gov para prender o ex-premiê por seus crimes na Guerra do Iraque.

Mas mau é apenas o Bush, que pelo menos teve a dignidade de se recolher para seu rancho depois de deixar a Presidência e evita criticar seu sucessor. Optou por se dedicar à pintura. Já Blair virou, pasmem, representante do Quarteto (EUA, União Europeia, ONU e Rússia) para o conflito entre Israel-Palestina. Como pode este ex-premiê sanguinário dar lições de paz para Netanyahu e Abbas, infinitamente mais pacíficos do que ele – o conflito israelo-palestino não provocou nem décimo de vítimas da Guerra de Blair no Iraque, sendo que a maior parte delas não ocorreu enquanto os atuais líderes israelense e palestinos já estavam no poder.

Obs. Apenas para ficar claro, o Iraque de Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa e não era aliado da Al Qaeda, que fez o 11 de Setembro. Na verdade, eram inimigos

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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