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Por que Obama gosta mais da Ásia do que da América Latina?

gustavochacra

13 de novembro de 2014 | 13h22

Estive no Brasil para participar de um debate com o embaixador de Israel, Reda Mansour (escreverei um post sobre ele), com a correspondente da Globo News em Israel, Dani Kresch, e com o acadêmico Michel Gherman. O comando foi de Osias Wurman, editor da Rua Judaica e cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, com a organização e participação de jovens do Grupo Hillel. Também falei para a Confederação Israelita do Brasil em São Paulo. Por este motivo, fiquei ausente do blog. E volto hoje, já em Nova York, mas não para falar de Oriente Médio.

Afinal, a parte do mundo que mais interessa a Barack Obama é a Ásia, ou mais especificamente a região do Pacífico. E sempre foi assim. A América Latina não tem relevância para o presidente dos Estados Unidos. Chega a ser surreal um ex-estudante da geração dele de duas universidades como Columbia e Harvard não ter conhecimentos básicos de espanhol. O líder americano quis se distanciar o máximo que conseguisse do Oriente Médio – não conseguiu, obviamente. Não se interessou pela Europa e jamais se aproximou da África, onde seu pai nasceu.

Nesta viagem, Obama obteve um enorme sucesso ao firmar um acordo sobre questões climáticas com a China. Não sabemos, claro, se os dois lados irão cumprir. Mas é um enorme avanço. Passará por Myanmar. Na última vez que esteve lá, elogiou o processo de redemocratização. Desta vez, corretamente, criticará a perseguição a uma minoria islâmica no país. Por último, irá para a Austrália em encontro do G-20. Para Obama, o mundo está na China, Coreia do Sul, Japão, Indonésia (onde ele viveu) e Índia. Não no Brasil, na Rússia ou na França.

O Oriente Médio, no fim da administração Obama, continuará o caos. A Líbia esquecida e pulverizada, o Egito com um regime ditatorial e uma oposição se radicalizando, as relações Israel-Palestina em colapso, a Síria na sangrenta guerra civil, o Iraque, idem, o Líbano instável, uma Jordânia de pé graças à ajuda de Israel e dos EUA, uma Arábia Saudita rebelde, um Yemen caótico. Talvez, sua única conquista seja um acordo com o Irã. Mas mesmo este corre risco de não dar certo.

A América Latina? Talvez, com os republicanos, sempre mais favoráveis ao continente, haja uma aproximação nos últimos dois anos de sua administração. O fim do embargo a Cuba pode ser uma opção. Mas a região ganharia força mesmo se um candidato com maior interesse nos temas latino-americanos, como Jeb Bush, que além de falar espanhol e ser casado com uma mexicana tem um grande interesse no Brasil, for eleito.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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