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Por que os aliados EUA e Israel divergem sobre o Irã?

gustavochacra

21 de novembro de 2013 | 13h10

Os Estados Unidos e Israel são e continuarão sendo aliados. Mas, como todos os países do mundo, possuem seus próprios interesses. Na maior parte dos casos, americanos e israelenses estão do mesmo lado no Oriente Médio. Algumas vezes, porém, adotam posições divergentes. Foi assim, por exemplo, na Guerra do Sinai e, mais recentemente, na deposição de Hosni Mubarak no Egito. Aparentemente, o mesmo se repete agora em relação ao Irã.

Washington quer se distanciar do Oriente Médio neste momento. Primeiro porque há uma fadiga com a região depois da guerra do Iraque. Em segundo lugar, porque os EUA estão próximos da independência energética, sem precisar se preocupar tanto em agradar regimes como o da Arábia Saudita.

Por este motivo, o governo de Barack Obama busca uma solução para questões ainda pendentes na região. No Iraque, retirou as tropas. Na Síria, busca evitar um envolvimento direto. Falta ainda tentar uma solução para o conflito Israel-Palestina e para o Irã.

Não vou me aprofundar hoje no conflito Israel-Palestina. Vou manter o foco apenas no do Irã. Para os israelenses, o risco de um Irã nuclear, por menor que seja depois de um acordo, tem uma proporção muito maior do que para os americanos. Os EUA jamais seriam alvejados por uma bomba atômica iraniana. O regime de Teerã não teria capacidade de lançar um míssil ou uma operação contra o território americano. Nova York, Washington, Los Angeles, Detroit e Chicago estão a salvo. Já Israel, mesmo sendo mais poderoso, poderia sim ver o país ser destruído, com uma bomba arrasando Tel Aviv – noto que eu sigo a teoria da mútua destruição assegurada e não acho que o Irã atacaria Israel pois Teerã seria destruída minutos depois. Mas entendo quem discorda de mim.

Isso explica as posições distintas de ambos neste momento. Israel quer a eliminação total do programa nuclear iraniano para existir risco zero. Os EUA, avaliando que o risco zero é impossível, querem um regime com redução acentuada das atividades nucleares e a imposição de um mais intrusivo esquema de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. Para os israelenses, isso não seria suficiente porque não “zera” a possibilidade de um Irã nuclear.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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