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Por que os EUA apoiam uma ação que fortalece a Al Qaeda no Yemen?

gustavochacra

09 de abril de 2015 | 09h58

A Al Qaeda têm sido a principal beneficiada pela intervenção da Arábia Saudita no Yemen. A organização terrorista tem ganho espaço com os bombardeios sauditas contra os houthis, que são uma etnia seguidora do zaydismo, uma vertente do islamismo xiita, e de seus aliados nas Forças Armadas iemenitas, muitos deles árabes e sunitas e seguidores do ex-ditador Abdullah Saleh.

Oficialmente, os sauditas dizem defender o presidente deposto Abd Rabbuh Mansur Hadi, que, não podemos esquecer, chegou a renunciar ao cargo. O problema é que a popularidade de Hadi no Yemen é quase inexistente e poucos ainda o apoiam militarmente. Seria como tentar recolocar o De la Rúa no poder na Argentina em 2001 depois de ele deixar o cargo.

As lutas que vemos em Aden, por exemplo, envolvem separatistas do sul contra os houthis e seus aliados nas Forças Armadas leais a Saleh. Os houthis também lutam contra a Al Qaeda ne Península Arábica. Mas quanto mais os sauditas bombardeiam os houthis, mais a rede terrorista cresce, conquistando vilas e cidades.

A Al Qaeda na Península Arábica, principal braço da organização terrorista no mundo, segue a vertente wahabbita do islamismo sunita. A mesma da Arábia Saudita e a mais radical do Islã. O curioso é que os EUA, depois de anos combatendo a Al Qaeda no Yemen com seus Drones, hoje estão ao lado dos sauditas em uma ação que fortalece os terroristas. Sabemos que este apoio é uma espécie de contrapartida para o acordo nuclear com o Irã, que irritou o regime de Riad. Mas o risco é enorme.

Era mais fácil trabalhar com os houthis e seus aliados árabes sunitas no Exército (os mesmos que sempre cooperaram com os EUA, por sinal) e seguir combatendo a Al Qaeda.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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