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Por que os EUA e o Irã prorrogaram as negociações nucleares?

gustavochacra

24 de novembro de 2014 | 12h32

As negociações sobre o programa nuclear iraniano envolvendo o regime de Teerã, de um lado, e os EUA e os demais membros do Sexteto (China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha), de outro, foram prorrogadas até o julho deste ano.

Basicamente, a manutenção das negociações é o melhor cenário neste momento. Afinal, se houver colapso, todos perdem. O Irã ficará sujeito a sanções ainda mais duras. E os EUA verão os iranianos sem travas em direção ao desenvolvimento de armas nucleares, embora o regime de Teerã negue esta intenção.

Para ficar claro, as negociações não fracassaram. Avançaram bastante nos pontos principais –

1) quantas centrifugas o Irã poderá ter

 2) o que fazer com o urânio já enriquecido

 3) como fica a questão do plutônio

 4) como as sanções serão levantadas.

Mas, apesar de ter havido evolução, esta não foi suficiente para chegarmos a um denominador comum em cada um destes pontos. Para tentar reduzir as diferenças, os dois lados concluíram que precisam de mais tempo. E estão corretos.

Sempre é bom lembrar que há cinco negociações paralelas

. A mais importante envolve o governo Obama e o governo Rouhani – esta tem evoluído bastante, como escrevi acima. Basta frisar que, dois anos atrás, seria impossível imaginar o secretário de Estado dos EUA e o ministro das Relações Exteriores do Irã dialogando na mesma sala

. A dos EUA com seus pares no Sexteto – embora nenhum deles queira um Irã nuclear, os interesses da Rússia e da China nem sempre coincidem com os da França e Alemanha

. A de Obama com o Congresso – os deputados e senadores americanos, em grande parte, adotam uma postura bem mais dura do que o presidente na questão iraniana. Alguns avaliam que a única saída é a proibição de qualquer atividade nuclear no Irã e o incremento das sanções

. A dos EUA com Israel e Arábia Saudita – assim como os membros do Congresso dos EUA, sauditas e israelenses não aceitam um acordo que não elimine totalmente as atividades nucleares do Irã

. A de Rouhani com a linha dura do regime do Irã – as Guardas Revolucianárias, por exemplo, tem interesses econômicos no programa nuclear. Alguns acham que as vantagens no fim das sanções, que seria aos poucos e não imediato, não vale o preço de abdicar dos avanços nucleares iranianos

. A de Rouhani com o aiatolá Khamanei – o líder supremo do Irã é quem terá a palavra final no lado iraniano, e não o presidente, como ocorre nos EUA

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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