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Por que os governos de Obama e de Netanyahu se odeiam tanto?

gustavochacra

29 de outubro de 2014 | 12h10

Os Estados Unidos, ao lado do Egito e do Canadá, são os maiores aliados de Israel no mundo. Israel, depois da Grã Bretanha e do Canadá, é o principal aliado dos EUA no mundo. Não há discussão sobre este tema. Resoluções no Conselho de Segurança da ONU contra Israel costumam não ser aprovadas apenas devido ao veto dos EUA. E Israel, além de ilhotas como a Micronésia, é um dos raros países do mundo a votar contra resolução de Cuba na Assembleia Geral da ONU condenando o embargo americano.

 

Mas esta aliança não significa que os governos de Barack Obama e de Benjamin Netanyahu se deem bem. Na verdade, eles se odeiam e estão em lados opostos no processo de paz Israel-Palestina e nas negociações nucleares com o Irã. Membros da administração Netanyahu atacam membros da administração Obama e vice-versa.

 

O ápice foi agora, com a publicação de uma reportagem na The Atlantic, escrita por Jeffrey Goldberg, um dos mais respeitados jornalistas de Oriente Médio nos EUA, na qual um alto funcionário do governo Obama chamou Netanyahu de “cagão” (chickenshit). Na visão de Goldberg, a relação entre os dois governos entrou em colapso.

 

Basicamente, os EUA avaliam que Netanyahu está mais preocupado com a política doméstica israelense, na qual ele disputa poder com outros membros da direita, como Naftali Bennett, do que com o processo de paz. Na visão americana, Netanyahu não quer um acordo com os palestinos e é culpado pelo fracasso nas negociações neste ano ao insistir na construção de assentamentos ilegais, segundo a ONU e toda a comunidade internacional, na Cisjordânia. Além disso, o premiê israelense atrapalharia, para o governo Obama, as negociações com o Irã ao fazer lobby no Congresso americano.

 

Já Israel avalia que o EUA não levam em consideração a segurança israelense em meio a um Oriente Médio em erupção. Diz que o governo Obama é ingênuo nas negociações com o Irã. E, por último, os palestinos que seriam os responsáveis pelo fracasso das negociações e as construções de novas unidades em assentamentos são em áreas que ficariam em Israel em um futuro acordo de paz.

 

Independentemente de quem estiver certo, Israel precisa mais dos EUA do que os EUA precisam de Israel. O governo israelense, sem os americanos, ficaria  dependente apenas de seus aliados no mundo árabe, como o regime do Egito e a monarquia saudita. E o isolamento israelense existente na Europa pode aos poucos se expandir para os EUA.

Netanyahu, para melhorar as relações, deveria fazer o óbvio – se aproximar de membros moderados de seu governo, como Tzipi Livni e Yair Lapid, que são ultra respeitados em Washington e na Europa. E se distanciar de radicais como Moshe Yaalon, Naftali Bennett e Avigdor Lieberman. Não dá para entender como Livni não é a chanceler de Israel. Sei que é por política doméstica, mas ela só de ser nomeada já ajudaria a melhorar a imagem israelense no Ocidente, hoje deteriorada. E as relações com os EUA melhorariam rapidamente.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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