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Por que os islamofóbicos europeus também são antissemitas?

gustavochacra

11 Junho 2016 | 11h06

O crescimento da islamofobia na Europa tem sido acompanhado pelo aumento ainda maior do antissemitismo. Muitos membros desta nova extrema direita xenófoba europeia, além de combaterem imigrantes e asilados de origem muçulmana, acham que a chegada deles aos seus países faz parte de uma conspiração judaica para destruir a Europa.

“A Europa é cristã. Eles são muçulmanos. Trata-se de uma onda (imigratória) financiada organizada por judeus sionistas para destruir a Europa”, disse Istvan Matyas Vass, líder de um movimento extremista de direita da Hungria. Este pensamento antissemita e grotesco é compartilhado por muitos outros nesta corrente política. O Pegida, como é conhecido o grupo islamofóbico da Alemanha, teve um líder admirador de Hitler e seus membros atacam tanto muçulmanos como judeus.

Alguns seguidores de Donald Trump também são abertamente antissemitas, embora o candidato nunca tenha atacado judeus (sua filha é convertida ao judaísmo), com seu preconceito concentrado em muçulmanos e, acima de tudo, mexicanos ou americanos de origem mexicana – lembrando que, para Trump, mexicano é sinônimo para qualquer pessoa com origem ao sul do Rio Grande, o que inclui brasileiros.

Na França, a Frente Nacional de Marine Le Pen deixou de lado o antissemitismo tendo como foco a xenofobia, embora membros de seu partido e seu próprio pai são conhecidos antissemitas. Na Austria, na Polônia e em vários outros países da Europa, incluindo a Rússia de Putin, há um crescente sentimento contra judeus por parte da extrema direita islamofóbica. Para eles, muçulmanos, judeus e mesmo ateus são um lixo a ser evitado.

No caso dos judeus, o cenário é ainda mais grave. Afinal, alguns muçulmanos, especialmente na França, embora sejam alvos de preconceito, também adotam bandeiras antissemitas. Em reportagem no passado na New Yorker, um muçulmano francês disse que votaria em Marine Le Pen porque “todos os políticos franceses são islamofóbicos, mas ela pelo menos também é antissemita”.

Não é a toa que a Ucrânia conseguiu prender um extremista xenófobo de direita que queria explodir mesquitas e sinagogas na Euro na França.

No Brasil e em outros países da América Latina, ocorre o inverso. Setores da esquerda, e não a extrema direita, tem adotado um discurso antissemita, o que também é perigoso. O Reino Unido também tem enfrentado um crescimento no sentimento antissemita em setores do Partido Trabalhista. Mas o prefeito de Londres, Sadiq Khan, que é muçulmano, luta abertamente contra o antissemitismo e tem sido elogiado pela comunidade judaica.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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