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Por que os países da ex-Iugoslávia são tão bons no polo aquático?

gustavochacra

16 Agosto 2016 | 17h58

Do quatro semifinalistas no polo aquático, três são países que integravam a ex-Iugoslávia – Sérvia, Croácia e Montenegro. Imaginem se hoje fossem uma só seleção? Será que seria imbatível? Difícil dizer. Mas chama a atenção como os eslavos nasceram para jogar bola dentro da água. Não há outra explicação. Ou talvez haja. Seria a água do Mar Adriático? Afinal, o outro seminfinalista é a Itália, que tem costa no Adriático. E a Grécia, eliminada pela Itália, também é margeada pelo Adriático

Sim, eu sei que a Sérvia não possui litoral. Mas os sérvios frequentam o litoral de Montenegro e da Croácia, onde se joga polo no mar. E, claro, a Itália não tem litoral só no Adriático. Inclusive, o melhor time italiano é o Pro-Recco, que fica na costa ocidental do país, próximo a Genova. Mas trata-se de uma região com muitas similaridades ao Adriático

A questão, ao meu ver, é o mar mais calmo desta região. Não tem ondas. E é um litoral mais recortado, que tem baías e golfos. Isso permite que piscinas de polo sejam montadas no mar e torne o polo atrativo, como o futebol ou o vôlei de praia no Brasil. É só pular na água e jogar polo. Em outras partes do mundo, não há mesma facilidade. Em segundo lugar, o clima mediterrâneo favorece. Por último, sem dúvida, há uma herança da ex-Iugoslávia e investimentos nos esportes coletivos. Notem que Croácia e Sérvia possuem bons times em várias modalidades por equipe – Montenegro é muito pequeno e se concentra no polo mesmo.

Tito, quando era ditador da Iugoslávia, investiu em esportes por equipe. Isso fez com que os iugoslavos se desenvolvessem em modalidades como basquete, vôlei, handball, polo aquático e mesmo futebol. O polo, no caso, sempre foi predominante no Leste Europeu. A Hungria é a maior potência historicamente, seguida pelas ex-repúblicas iugoslavas.

Para completar, o polo aquático não é uma modalidade popular ao redor do mundo. Apenas nestes países da ex-Iugoslávia e na Hungria está entre as modalidades mais populares. Caso a Catalunha fosse país, poderíamos incluir também. Ainda assim, em uma escala menor. No resto do mundo, o polo é um esporte que tem pouca popularidade. Um clássico entre Paulistano versus Pinheiros, talvez o mais antigo do Brasil, reúne cerca de cem pessoas no máximo, sendo quase todas elas ligadas à “família do polo aquático” ou a alguns sócios destes clubes. O que salva o polo é o amor de ex-atletas pelo esporte. Muitos defendem o esporte pelo resto da vida – e isso inclui João Havelange, que morreu hoje aos 100 anos e jogou polo. E, claro, eu mesmo falo desproporcionalmente deste esporte por ter jogado no Paulistano e na Universidade Columbia.

Na Itália, o polo aquático tem popularidade dependendo da cidade. Mas fica um pouco atrás do basquete e mesmo do vôlei. Mesmo assim, os italianos costumam sempre formar bons times. A Liga Italiana, junto com a croata, é uma das melhores. Não se surpreendam se eles vencerem os jogos.

Enfim, creio ser a combinação de jogar polo no mar, com tradição nos esportes coletivos e uma cultura que simplesmente desenvolveu simpatia por esta modalidade assim como os brasileiros desenvolveram pelo vôlei.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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