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Por que os países do Golfo não estão contra o acordo com o Irã?

gustavochacra

23 de julho de 2015 | 11h17

Ao longo dos últimos meses, opositores ao acordo entre o Irã e as grandes potências mundiais (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) insistiram que haveria uma corrida nuclear na região depois da assinatura. Este argumento, no entanto, não se sustenta por três motivos, sendo o terceiro comprovado apenas nos últimos dias.

Primeiro, claro, o Irã ficou mais distante da bomba atômica do que estava antes do acordo. Portanto, se fosse para ocorrer a corrida nuclear, esta já teria começado.

Segundo, Israel desenvolveu armas nucleares há décadas, apesar de o governo israelense não confirmar ou tampouco confirmar possuir o arsenal atômico – Israel, assim como Índia e Paquistão, não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Mas Israel nuclear não foi suficiente para o Egito, Turquia ou Arábia Saudita ter armamentos – vá lá, neste caso, de fato o Iraque e o Irã tentaram, portanto admito ser meio ambíguo.

Por último, os países do Golfo Pérsico, tirando Bahrain, estão satisfeitos com o acordo. Omã, no caso, foi mediador. Os Emirados Árabes, que sempre mantiveram bons negócios com o Irã, estão eufóricos com as novas oportunidades financeiras. O Qatar sempre buscou ter boas relações com o Irã, apesar do antagonismo na Síria. O Kuwait não tem se pronunciado, mas o país sempre teve Saddam Hussein como inimigo comum com o Irã. A Arábia Saudita, país mais importante da região, deu indicações de que aceita o acordo. Bahrain segue o que os sauditas determinarem. Se sairmos do Golfo, a Turquia defendeu um acordo ainda mais brando com o Irã, proposto em parceria com o Brasil. Iraque, Síria e Líbano elogiaram o acordo. O Egito tampouco reclamou, assim como o Afeganistão e o Paquistão.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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