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Por que os terroristas atacaram cristãos no Paquistão?

gustavochacra

29 de março de 2016 | 11h23

O ataque terrorista cometido pelo braço paquistanês do Taleban em Lahore teve como alvo direto os cristãos e indireto esta que é uma das cidades mais tolerantes e multiculturais do Paquistão e da Ásia Central.

O Paquistão, com 180 milhões de habitantes, possui 2,5 milhões de cristãos. A maioria absoluta da população paquistanesa é muçulmana sunita, embora haja também muçulmanos xiitas e hindus. Dependendo do lugar, todos convivem em harmonia. Mas, em outros, há perseguição a minorias religiosas.

Os cristãos são vulneráveis por serem normalmente mais pobres, embora uma parcela deles integre a elite. Até os anos 1980, quase não havia problemas. Inclusive, um cristão foi chefe da Suprema Corte do Paquistão – hoje seria impensável um muçulmano na Suprema Corte dos EUA, por exemplo. Mas, a partir daquele momento, com muitos paquistaneses integrando os mujahedeen, como eram conhecidos os extremistas islâmicos apoiados pelos EUA e pela Arábia Saudita para lutar contra os soviéticos no Afeganistão, aumentou o radicalismo entre os muçulmanos sunitas.

Estes radicais chegaram ao poder no Afeganistão, com o nome de Taleban. Outros fundaram a rede terrorista Al Qaeda. No Paquistão, porém, sempre foram impedidos de crescer pelo Estado, relativamente democrático, as Forças Armadas e os serviços de inteligência, que sempre fizeram um jogo duplo, reprimindo e apoiando os extremistas ao mesmo tempo, de acordo com os seus interesses.

Neste momento, o Taleban paquistanês está brigado com o governo de Nawaz Sharif. O premiê, curiosamente, é de Lahore. No fim, como é comum no mundo, sobrou para os mais fracos. E os mais fracos no Paquistão são os cristãos. A tolerância e o multiculturalismo de Lahore, onde eles podiam tranquilamente celebrar a Páscoa em um parque, foi alvejada por estes terrorista do Taleban paquistanês.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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